Com a presença da chefe de Polícia Civil (PC), delegada Nadine Anflor, a Polícia Civil (PC) de Porto Alegre apresentou na tarde desta quinta-feira materiais apreendidos com três adolescentes que ameaçavam um ataque a uma escola da cidade. Através de postagens no Facebook e mensagens trocadas pelo WhattsApp, os investigadores acreditam ter impedido que o trio fizesse uma ação criminosa no colégio.
Na casa de um dos investigados, foram encontradas duas armas de airsoft, modalidade que imita combates, uma com formato e peso muito semelhante a um fuzil. Embora nenhuma delas seja fatal, os investigadores chamaram atenção elas deixariam o trio preparado para um ataque real. “A partir do momento que tivessem acesso a uma arma verdadeira, poderiam fazer um ataque”, ressaltou a diretora do Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV), delegada Shana Luftz Hartz.
Diretor da Divisão da Criança e do Adolescente (DCA), o delegado Thiago Albeche, complementou que eles poderiam utilizar as armas falsas para causar pânico e usar outros equipamentos para ferir colegas e professores. “São armas não letais, mas de alto poder intimidatório. E eles já combinavam o uso de facas e coquetel molotov”, afirmou.
As investigações começaram no início da semana passada, quando foram recebidas denúncias de uma ameaça. A PC chegou a um dos adolescentes, e após ouvir o depoimento, descobriu os outros dois envolvidos. O movimento em grupo chamou atenção porque um deles tentava angariar apoiadores nas redes sociais para ajudar nos ataques. As motivações ainda estão sendo investigadas, mais ainda não foi possível traçar um perfil sobre os adolescentes.
Para Nadine, o caso é um alerta para os pais e educadores. “Conseguimos evitar algo mais grave, porém os pais precisam monitorar as redes sociais dos filhos e ficar atentos aos sinais. Isso serve de alerta, principalmente às escolas”, ressalta a delegada.
Casos anteriores
Os investigadores encontraram diversas referências ao massacre de Suzano, quando um dois ex-alunos da escola Raul Brasil, localizada na cidade de Suzano no interior de São Paulo, invadiram o local e abriram fogo contra os alunos, professores e funcionários, no dia 13 de março de 2019. A tragédia deixou sete pessoas mortas, cinco alunos e duas funcionárias.
Além da referência brasileira, eles também divulgaram uma foto do Massacre em Columbine, realizado no dia 20 de abril de 1999. Na ocasião dois alunos invadiram a Columbine High School, localizada na cidade de mesmo no no estado do Colorado, nos Estados Unidos. Fortemente armados eles tiraram a vida de 12 alunos e um professor.
O Rio Grande do Sul também tem dois casos que chamaram atenção no ano passado. No dia 27 de março, foram interceptadas ameaças de ataque às escolas da Rede Marista de Porto Alegre. O caso foi investigado pela polícia, que não encontrou culpados, mas o ataque nunca foi concretizado. Entretanto, no dia 21 de agosto a situação foi bem diferente em Charqueadas, na região Carbonífera, quando um adolescente de 17 anos invadiu a escola Assis Chateaubriand com um machadinho. Ele atacou os alunos e feriu dois meninos de 14 anos e quatro meninas, duas de 12,uma de 14 e outra de 13 anos. Ele foi reconhecido pelas vítimas e se apresentou à polícia poucas horas depois.