O inquérito instaurado pela Polícia Civil para apurar desvio de R$ 10 milhões do Banrisul por meio de superfaturamento de ações de marketing está restrito a um número. Instaurado no início da semana, o procedimento ainda não decolou por falta de informações referentes à Operação Mercari - deflagrada em 2 de setembro por uma força-tarefa composta pela Polícia Federal, Ministério Público Estadual e Ministério Público de Contas. “Tão logo o inquérito foi instaurado encaminhei ofício solicitando cópia de documentos que deram suporte à investigação e de provas coletadas posteriormente, mas até o momento não recebi resposta”, revelou o titular da Delegacia de Crimes Fazendários do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), delegado Rodrigo Bozzetto.
Em razão da falta de subsídios, o delegado fica impossibilitado de iniciar investigações complementares ou aprofundar os trabalhos já em andamento na Polícia Federal. “Também solicitei documentos ao Banrisul e aguardo resposta”, frisou. Na avaliação de Bozzetto, somente a partir da análise da documentação será possível interrogar as partes envolvidas e testemunhas da fraude. A intenção do delegado é ouvir o ex-superintendente de marketing do Banrisul, Walney Fehlberg, o diretor financeiro da DCS, Armando D’Elia Neto, o sócio da agência de publicidade SLM, Gilson Stork, e também o empresário Davi Antunes de Oliveira - apontado como operador da suposta fraude milionária.
Bozzetto ressaltou que o compartilhamento dos dados já acessados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) é fundamental para “dar um norte” aos procedimentos investigativos. O delegado destacou a seriedade e a qualidade do trabalho desenvolvido pela Polícia Federal e que resultou na articulação da Operação Mercari. Ele afirmou que não houve, neste caso, interferência federal em crime de competência estadual. “Existem crimes de atribuição estadual que são investigados pela Polícia Federal e de atribuição federal investigados pela Polícia Civil”, comentou ele, acrescentando que para a busca da elucidação de um crime, não há uma competência exclusiva.
“Se eu me deparar com um delito que julgue ser de minha competência investigarei. Se, posteriormente, concluir que é da esfera federal, ao término dos trabalhos posso encaminhar as conclusões para análise da Justiça Federal”, explicou. O delegado, porém, espera ter acesso aos documentos solicitados no início da próxima semana. Do contrário, as investigações podem ser prejudicadas, tendo em vista que necessita concluir o inquérito no prazo de 30 dias após a instauração.
Os quatro suspeitos presos na Operação Mercari já foram libertados por determinação judicial. O empresário foi o último a ser solto, na madrugada de quinta-feira. O defensor de D’Elia Neto, advogado Auri Lopes Junior, disse que aguarda desdobramentos decorrentes da análise dos documentos pelos auditores públicos externos do TCE. “Estamos aguardando os próximos passos das investigações”, observou. O advogado afirmou que não teve acesso à totalidade do inquérito da Polícia Federal.
Polícia Civil aguarda informações sobre caso do Banrisul para dar andamento ao inquérito
Delegado do Deic disse que não obteve resposta da força-tarefa que investigou suposto desvio de recursos do banco