Delegacia do Meio Ambiente (Dema) apreendeu, nesta quinta-feira, 55 araras em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos. A ação fez parte da Operação Canindé, que desmontou um criadouro ilegal da espécie no município e também cumpriu mandado de busca e apreensão em Porto Alegre. Ninguém foi preso.
De acordo com o Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), o objetivo da ofensiva foi reprimir a prática de crimes contra a fauna, maus-tratos e falsidade ideológica. A Secretaria Estadual do Meio Ambiente apoiou as diligências.
Sob comando da delegada Sámieh Bahjat Saleh, a investigação teve início em janeiro, a partir de denúncias sobre um criadouro de araras ilegal que ainda estava em operação, mesmo sem a licença do órgão competente. O empreendimento teve origem no ano de 2001 e, desde então, fiscalizações constataram que o local precisava de adequações para operar, mas isso nunca foi feito.
O principal investigado é um servidor público federal. Ainda conforme a delegada, ele seria o verdadeiro proprietário do local, mas utiliza o nome de um irmão como laranja. Isso ocorre porque o suspeito está em um cargo que o impede de exercer outra função remunerada.
A suspeita é que o funcionário público comercializa as araras apresentando como responsável pelo criadouro o irmão. Entretanto, ele ainda não foi indiciado. "O inquérito está em andamento. A investigação segue, aguardaremos laudos de veterinários”, afirmou Sámieh Saleh.
Os policiais constataram que as araras eram mantidas em situação de maus-tratos, pois os filhotes ficavam confinados dentro de uma cozinha improvisada e insalubre. Algumas aves estavam com problemas de empenamento e não havia nenhum tipo de enriquecimento ambiental no recinto, entre outros diversos fatores que ocasionam problemas sanitários, nutricionais e comportamentais nas aves.