A Operação Reintegra prendeu três homens e apreendeu um adolescente que estava foragido, na manhã desta quinta-feira, na Restinga, zona Sul de Porto Alegre. Com a ação, a Polícia Civil visou combater o tráfico de drogas e levar ordem a três condomínios do Minha Casa, Minha Vida na região, que estavam dominados por uma quadrilha, que ameaçava os moradores. Os policiais chegaram lá com 96 mandados de busca de apreensão.
Os moradores dos condomínios Ana Paula, Camila e São Guilherme viviam sob uma lei do terror, conforme as investigações. “Os relatos que ouvimos são realmente impressionantes. São condomínios fechados, onde vigora uma lei própria. Quem respeita pode ficar, quem não respeita é expulso ou ameaçado e sofre uma série de retaliações”, explicou a delegada titular da 16ª Delegacia de Polícia, Shana Hartz. “São relatos que nos chegaram de forma anônimas. As pessoas têm muito medo”, acrescentou. “Eles impõem um regime do medo.”
No local, a facção obrigava os moradores a comprar gás deles e também cobravam pela entrega das correspondências, que ficava retida na entrada dos condomínios. Quem descumprisse alguma determinação, era ameaçado ou expulso, segundo a delegada. “Encontramos mais de dez apartamentos em situação de abandono”, disse. Os expulsos saíam às vezes com a roupa do corpo e seus pertences eram saqueados. “Há pessoas que viram as costas e abandonam. Não querem voltar para a Restinga para nada, porque elas têm muito, muito medo”, enfatizou a policial.
“Denúncias foram confirmadas”
Cerca de 400 policiais de Porto Alegre, região Metropolitana e interior participaram da operação. “O foco principal era a questão do recadastramento. Tinha a intenção de colocar a Polícia dentro dos condomínios e efetuar o recadastramento das pessoas”, contou a delegada. “A situação que a gente conseguiu ver aponta que as denúncias procediam. Justifica a entrada e a permanência da polícia dentro dos condomínios até restabelecer uma ordem.”
Durante a operação, um homem chegou a pular do quarto andar quando percebeu a chegada da Polícia. Um outro preso estava numa situação peculiar: era considerado foragido, mas tinha uma tornozeleira eletrônica. “Temos que averiguar melhor a situação, se ele não carregou ou danificou”, afirmou a delegada Shana.
Operação será continuada
A Operação Reintegra não termina nesta quinta-feira, destacou a delegada Shana Hartz. “Esse é o primeiro passo numa ação nos condomínios. Fizemos o primeiro ingresso. Em momentos e condomínios aleatórios, faremos uma avaliação rotineira de quem está no apartamento, se ele foi tomado ou invadido”, projetou.
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