A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Sul (OAB/RS) promoveu, na manhã desta segunda-feira, uma audiência pública para explicar aos juristas como proceder em casos de golpes e intimidações. O evento ocorreu no Auditório do Espaço Cubo, na rua Manoelito de Ornellas, na avenida Praia de Belas, em Porto Alegre. A cúpula da Polícia Civil também participou do encontro, onde foi anunciado que a apuração dos casos será concentrada no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
Nos golpes, os criminosos se passam por advogados e contatam clientes, através de WhatsApp ou e-mail. Eles ainda utilizam uma foto do jurista para embasar a farsa. Após, é solicitado para a vítima o envio de valores para liberação de crédito em processos judiciais ou precatórios. A transferência das quantias é feita através de pix e depósitos na conta dos golpistas.
Há também os episódios em que os juristas são alvo de intimidação. Nesses casos, os criminosos entram em contato com os advogados e se identificam como membros de facção. A cobrança de valores então passa a ser feita por meio de ameaças contra a família e o escritório da vítima.
“Se qualquer pessoa receber WhatsApp ou e-mail pedindo valores para liberação de crédito judicial ou precatório, não faça nenhum depósito antes de procurar o advogado ou o escritório dele", alertou o presidente da Ordem gaúcha, Leonardo Lamachia.
Lamachia também sugeriu que os advogados, no momento em que forem contratados, se antecipem e informem os clientes sobre a ocorrência dos golpes.
" A Polícia Civil dedica atenção não só aos advogados, mas para a sociedade. Ocorre que o caso da advocacia é diferenciado, porque a base do trabalho é a credibilidade com os clientes. Esses golpes acabam, em um primeiro momento, abalando essa relação de confiança. Isso atinge um dos alicerces da nossa atividade profissional. Agora estamos propondo ações concretas e efetivas contra os criminosos, é uma reação muito forte da Ordem”, enfatizou Lamachia.
De acordo com o chefe de Polícia, delegado Fernando Sodré, os registros de golpes digitais tiveram queda de 23% no último ano. Ele reconhece, no entanto, que a média desse tipo de crime ainda é expressiva, com aproximadamente 20 mil casos registrados anualmente.
"Os golpes estão bastante disseminados, no RS e no Brasil. Isso é uma preocupação permanente. Por conta disso, cada vez mais temos incentivado a formação de policiais que atuem especificamente nesses casos. Estamos trabalhando em estruturas e equipes focadas no enfrentamento da criminalidade digital”, afirmou Sodré.
O delegado Eibert Moreira, diretor de investigação do (Deic), explica que os golpistas atuam fora do RS. Uma das quadrilhas desarticuladas, exemplificou, estava no Ceará.
Na visão do delegado Moreira, a estratégia de concentrar as investigações no Deic vai agilizar a resolução dos casos. “Vamos centralizar as ocorrências e fazer cruzamento de dados. A orientação é que as vítimas registrem boletim de ocorrência, online ou presencialmente. Os advogados também devem fazer o registro. No caso deles, é preciso informar o nome do cliente, para que a OAB disponibilize o modelo de petição que deve ser encaminhado ao Deic, onde haverá a centralização das investigações”, disse.