Na avaliação do Ministério Público Estadual, os policiais liberados pela delegada Sandra Louzada deveriam ter ficado presos em flagrante. A investigação vai apontar se a policial cometeu crime de prevaricação. Os agentes do Paraná terão que se apresentar à Corregedoria da Polícia Civil gaúcha até segunda-feira. Ainda nessa quarta, eles haviam retornado a Curitiba, onde foram presos por ordem da Justiça gaúcha.
O subprocurador-geral para Assuntos Institucionais do MPE, Marcelo Dornelles, revelou que no episódio da morte do refém somente o delegado Leonel Carivali admitiu ter atirado, mas disse que disparou depois de ter escutado dois tiros. Segundo Dornelles, só havia policiais gaúchos no cerco e não está claro se houve confronto com os criminosos. Num primeiro momento durante a tarde, ele informou que três delegados seriam afastados do caso, mas em seguida confirmou que são dois, Carivali e Roland Short.
O corregedor da Polícia Civil, delegado Walter Waigner, também esteve nesta tarde na sede do Ministério Público Estadual, em Gravataí, e prometeu: “Vamos tentar esclarecer o que realmente aconteceu”. A Corregedoria Geral da Polícia Civil assumiu o caso, conforme nota oficial divulgada à tarde.
Entenda o caso
O 1º sargento do serviço de inteligência da Brigada Militar Ariel da Silva foi atingido por cinco disparos de fuzil por volta da 1h30min dessa quarta-feira, em Gravataí. A versão apresentada pelos policiais paranaenses é de que o policial militar (PM) atirou contra eles em uma abordagem e ocorreu então o revide com tiroteio. O coronel Silanus Mello, responsável pelo Comando de Policiamento Metropolitano da Brigada Militar, não acredita na hipótese de o PM ter decidido abordar, de moto, um carro com três ocupantes. Ariel da Silva estava à paisana, de folga e voltava da casa do pai. "O sargento estava caído, ainda com vida, ao lado da moto e da sua pistola. Estava distante cerca de sete metros atrás do Logan", disse. A vítima atuava há 21 anos na Brigada Militar. Natural de Porto Alegre, o sargento deixa mulher e uma filha de 16 anos.
À tarde, o empresário Lírio Perscht, 50 anos, morreu em ação conjunta da Polícia Civil do Paraná e polícias Civil e Militar do Estado. Agentes invadiram o cativeiro onde eram mantidos reféns Perscht e outro empresário – um sobrado amarelo na rua Doutor Luiz Bastos do Prado, atrás da Câmara de Vereadores de Gravataí. As circunstâncias da morte de Perscht não estão claras. A vítima foi baleada durante um tiroteio entre policiais e sequestradores no local.
Ao fim da ação de resgate, três pessoas foram presas – todas com antecedentes por extorsão mediante sequestro. Os policiais envolvidos na morte do sargento da BM foram detidos, em Curitiba, após a Justiça decretar pedido de prisão temporária.