Polícia

Polícia Civil investiga participação de agentes em morte de adolescente em Porto Alegre

Família de João Vitor Macedo, de 15 anos, afirma que ele foi morto por policiais civis na última quinta-feira

Morte de adolescente foi motivo de protestos na avenida Bento Gonçalves
Morte de adolescente foi motivo de protestos na avenida Bento Gonçalves Foto : Guilherme Almeida

A Corregedoria da Polícia Civil investiga o envolvimento de agentes da instituição na morte de João Vitor Macedo, de 15 anos, no bairro Agronomia, na zona Leste de Porto Alegre. O caso motivou protestos, nesta terça-feira, de colegas e familiares dele, que seguravam cartazes pedindo por justiça na avenida Bento Gonçalves.

No início da manhã, aproximadamente 40 manifestantes bloquearam os dois sentidos da via, com liberação do trânsito periódica a cada cinco minutos. O protesto gerou lentidão no trânsito e foi acompanhado pela EPTC. Conforme soldados do 19ª BPM, não houve incidentes violentos.

De acordo com Juliana Macedo, mãe do adolescente morto, o fato ocorreu na última quinta-feira. Ela conta que o filho e outro jovem, de 14 anos, foram perseguidos por dois policiais civis, que guiavam uma viatura, na avenida Bento Gonçalves.

Na versão dela, João Victor, que já havia cumprido medida socioeducativa, teria fugido da abordagem. A dupla teria sido seguida por uma viatura, na direção do Beco dos Marianos, que fica ao lado da Escola Desidério Torquato Finamor, onde a vítima estudava.

O outro jovem teria conseguido pular dentro de um valão e fugiu, mas João Vitor foi cercado. A mãe enfatiza que, mesmo após ter se rendido, ele foi executado com um disparo na região do peito.

"O menino que conseguiu fugir me contou que policiais civis tinham matado meu filho e, em um primeiro momento, não acreditei. Mesmo que ele estivesse fazendo alguma coisa errada, o correto seria que fosse apreendido, não morto. O João Victor já estava com as mãos na cabeça quando foi baleado. O disparo atingiu o peito dele e atravessou as costas”, disse a mãe do jovem.

A mulher conta que o filho foi socorrido por um familiar, que o encontrou caído no chão e alertou um grupo de religiosos que passava na localidade. Ele chegou a ser levado ao Hospital de Pronto Socorro, onde morreu durante atendimento.

O chefe de Polícia, delegado Fernando Sodré, admite que há indícios da participação de policiais civis. Ele relatou que uma câmera de segurança no Beco dos Marianos gravou o momento em que os dois jovens fogem de uma viatura, com o giroflex ligado. Após, disse, as imagens mostram apenas um dos adolescentes correndo no sentido contrário e, em seguida, o veículo da Polícia Civil com giroflex desligado. O momento dos disparos não foi registrado.

"Ouvimos a versão da família e, de fato, há evidências que indicam para a possibilidade de envolvimento dos agentes. Investigaremos esse caso com a mais completa isenção. Vamos punir quem estiver envolvido e for responsável, não importa se for policial civil”, destacou.