Neste novo passo da investigação, o objetivo é analisar o ângulo em que as balas atingiram as vítimas. Isso é feito através da posição de entrada e saída das balas que perfuraram os feridos. A polícia já sabe, através da reconstituição feita no dia 8 de julho, o posicionamento de cada policial durante a ação. O confronto das informações será feito por técnicos da Polícia Civil ainda esta semana.
Os pontos analisados já mostraram que não houve confronto entre os policiais militares envolvidos na ação e traficantes, conforme alegavam os policiais do Batalhão de Mesquita (20º BPM). O delegado Ricardo Barbosa afirmou que os tiros que mataram Juan foram disparados pelos policiais militares. "A conclusão que nós temos é de que Juan foi baleado por armas de fogo de policiais militares."
Segundo a polícia, dois policiais militares dos quatro que participaram da operação atiraram na cena do crime. Os quatro policiais militares foram indiciados por dois homicídios qualificados (de Juan e de Igor de Souza Afonso, suspeito de ser traficante), duas tentativas de homicídio (de Wesley de Moraes e de Wanderson dos Santos de Assis) e ocultação de cadáver (de Juan).
O delegado Ricardo Barbosa, titular da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, reiterou que a criança morreu em decorrência de um tiro no pescoço, com base em depoimentos de testemunhas, já que o laudo não constatou a causa da morte.
A perícia apontou que, das cinco cápsulas encontradas no local, quatro partiram do fuzil de um cabo da PM. A polícia apreendeu dez fuzis do 20º BPM para checar se a quinta cápsula partiu de uma dessas armas. Os policiais militares foram presos na noite do dia 21 de julho na unidade prisional da Polícia Militar, em Benfica, zona Norte do Rio de Janeiro.
O delegado disse também os depoimentos conflitantes dos policiais militares motivaram as prisões. Eles disseram que chegaram ao local do crime às 20h. No entanto, análise do GPS da viatura apontou que a equipe esteve na favela às 18h35min.
Segundo a polícia, novas testemunhas querem prestar depoimentos, mas temem represálias. Com a prisão dos policiais, o delegado espera que essas pessoas contem o que viram à polícia. Imagens feitas por um celular mostram o local do crime logo após o confronto. As imagens ainda estão sendo analisadas pelo delegado Ricardo Barbosa e serão anexadas ao inquérito. De acordo com o delegado, a filmagem mostra manchas de sangue e cápsulas de munições no chão.