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Na Favela da Grota, uma casa de três andares seria a fortaleza do criminoso Alexander Mendes de Oliveira, conhecido como Polegar e apontado pela polícia como chefe do tráfico de drogas na Mangueira, que havia fugido para o Alemão. No primeiro andar, uma caixa vazia de uísque Chivas Regal 12 anos estava jogada em cima da mesa de vidro. Quatro TVs de LCD, geladeira, fogão de seis bocas e máquina de lavar, todos aparentemente recém-comprados, foram destruídos a tiros e marretadas, possivelmente pelo próprio traficante, antes de fugir, segundo a polícia.
No segundo andar, havia uma banheira de hidromassagem redonda com vista para o teleférico do Alemão. Na cobertura, uma piscina que à tarde fez a alegria de crianças e adolescentes do morro, que brincavam no local. De cima do terraço, o traficante podia controlar o movimento em um dos principais acessos ao morro, a Rua Joaquim de Queiroz. Policiais quebraram partes do teto de gesso e de painéis pintados nas paredes em busca de drogas e armas. "A casa caiu", disse um dos agentes da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil, os primeiros a chegar à mansão.
Em outro local, na Favela Nova Brasília, o traficante conhecido como Gão, acusado de chefiar o tráfico no Morro do Faz Quem Quer, em Rocha Miranda, mantinha uma casa que os policiais definiram como "centro de lazer", para realização de festas e churrascos, com a participação de chefes do tráfico local. No fundo da piscina, que tem um chafariz em forma de golfinho, um grande "G" foi ladrilhado. A área é cercada de painéis que retratam paisagens da capital fluminense.
Havia churrasqueira, pista de dança, banheira de hidromassagem e decoração com colunas gregas na ampla casa de dois andares, com vista para o Estádio Olímpico João Havelange (Engenhão). "A casa era usada como centro de lazer pelo Gão, uma espécie de clube. Chegamos depois de receber a indicação de moradores", disse o tenente-coronel Luiz Otávio Lopes da Rocha Lima, comandante do 6.º Batalhão da Polícia Militar (PM), responsável pela operação. "A população está ajudando muito."
O oficial transformou o local em base de sua equipe. Foram levados para lá, até o início da tarde, cinco fuzis, duas metralhadoras, uma granada e cerca de 200 quilos de drogas. "Um bandido que estava armado com fuzil e atirou contra policiais, morreu", disse o coronel.
'Hotel do tráfico'
No Morro da Fazendinha, policiais encontraram uma vila que seria usada como "hotel do tráfico". Lá, quartos também serviriam para depósito de armas e abrigariam um laboratório para refino de drogas. Outra casa, supostamente usada pelos criminosos Fabiano Atanázio, o FB, e Luciano Martiniano da Silva, Pezão, chefes do tráfico no Alemão, teria sido saqueada por moradores no fim da tarde.