Ocorrida há mais de um ano, a morte do ex-chefe do escritório do governo gaúcho em Brasília, Marcelo Cavalcante, segue sem as circunstâncias e os motivos escalarecidos pela Policia. Nesta segunda-feira, agentes da 10ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal (DF) garantiram que ainda não há convicção sobre a tese de um suicídio no caso, mas, hoje, esta é a principal linha de investigação. No mês passado, a Justiça concedeu prazo de 90 dias, que expira em setembro, para o inquérito ser concluído.
Nomeado pela governadora Yeda Crusius, Cavalcante foi encontrado morto no Lago Paranoá, em fevereiro de 2009, no período em que prestava depoimentos sobre o esquema de corrupção no Detran gaúcho, identificado pela Polícia Federal em 2008.
A família da vítima acredita que ele foi assassinado e reclama de suposta má-vontade das autoridades com os parentes. O irmão, Marcos Cavalcante, afirmou nesta segunda-feira que desde julho do ano passado não consegue ser recebido pela titular da 10ª DP do DF, Naíce Landim, e o promotor do caso, Marcelo Leite Borges. "Eles fecharam as portas para a família há mais de um ano e querem empurrar com a barriga esta versão de suicídio".
A delegada tem evitado manifestações à imprensa já que o caso está sob segredo de Justiça. Em fevereiro, ela declarou à Rádio Guaíba que principal prova do inquérito, até agora, é um laudo da perícia apontando que o ex-assessor da governado cometeu suicídio.
Naíce Landim, contudo, revelou ter pedido a quebra dos sigilos bancários de pessoas ligadas a Cavalcante, de nomes mantidos em sigilo. O objetivo, na época, era verificar a possibilidade de descartar as hipóteses de assassinato ou suicídio induzido. O rastreamento das movimentações financeiras teve início após uma reportagem da revista Veja, publicada em 2009, apontar que o ex-assessor foi flagrado confirmando um suposto envio de dinheiro de caixa 2 para a campanha tucana, acusação rechaçada pelo Palácio Piratini.
Polícia do DF tem dois meses para terminar inquérito do Caso Marcelo Cavalcante
Ex-chefe do governo gaúcho em Brasília morreu em fevereiro de 2009