Polícia

Polícia entrega inquérito que indicia PMs por participarem de protestos

Um soldado e um sargento da reserva foram presos ontem em Alvorada

A Polícia Civil entregou à Justiça, nesta quinta-feira, o inquérito com o indiciamento de dois policiais militares de Alvorada, na Região Metropolitana. Um deles, que é suspeito de protestos com queima de pneus e explosivos, seria o comandante das ações em Porto Alegre. O soldado do 24º Batalhão de Polícia Militar (BPM) Marcelo Machado Maier e o sargento da reserva João Carlos de Souza, o Lilica, foram presos nessa quarta-feira.

Maier seria apontado no como articulador de manifestos em Alvorada e de, pelo menos, dois na Capital, em que foram usados bonecos e artefatos supostamente explosivos. Ele também seria o responsável por produzir um vídeo com ameaças ao governador Tarso Genro entregue à TV Record. “É muito provável que ele seja um dos que parece nas imagens, mas isso a perícia é que deve comprovar”, afirmou a titular da 3ª Delegacia de Polícia da cidade, Graciela Foreste, responsável pelas investigações no município.

A delegada disse também que, além dos dois indiciados, outras quatro pessoas foram identificadas como suspeitas de envolvimento nos crimes. “Seriam PMs que estariam agindo com ele (Maier), mas não coletamos material deles.” Os fatos ocorreram em meados deste ano, durante negociações de aumento salarial para soldados, sargentos, subtenentes e tenentes. Os dois foram presos em flagrante ontem por, supostamente, terem cometido outros delitos, quando PMs cumpriam mandados de busca e apreensão em suas residências. Eles foram conduzidos ao Presídio Militar, na Capital.

O comandante-geral da BM, coronel Sérgio Roberto de Abreu, informou que a instituição tem 26 procedimentos instaurados para investigar os protestos no Estado. Ele destacou que os policiais da reserva respondem apenas pelos crimes, mas os da ativa serão responsabilidados de modo criminal e administrativo.

A Associação dos Sargentos Subtenentes e Tenentes da Brigada Militar (Asstbm) divulgou uma nota nesta quinta-feira sobre o caso: 

Nota de esclarecimento

A ASSTBM, incansável na luta pela valorização profissional do brigadiano, em especial os Sargentos, Subtenentes e Tenentes, com o apoio de todas as sedes regionais do Estado e demais entidades do interior, seguirá com seus pleitos cobrando melhores condições de trabalho e remuneração digna ao policial militar gaúcho. O presidente estadual da Associação, Aparício Santellano, seguirá firme, convicto e determinado em atender os anseios da categoria, na busca do resgate da dignidade e autoestima do brigadiano através da recuperação de todas as perdas salariais de décadas. Essa motivação está refletida em todas as ações da ASSTBM. Santellano, com bom senso, ouvindo sempre a voz da maioria dos brigadianos tomou decisões importantes nesse ano junto à categoria e mostrou assim com ações transparentes que a ASSTBM não serve a outros interesses, se não aqueles que venham de encontro com os objetivos dos policiais militares gaúchos.

A ASSTBM é fiel à família brigadiana, sendo a mais antiga entidade representante dos servidores de nível médio da Brigada Militar, assim não servirá de palanque para oportunistas que se dizem defender nossos interesses. Portanto, reafirmamos que pessoas mal intencionadas não terão espaço para se autobeneficiarem usando a nossas reivindicações que são legitimas para servir a seus próprios interesses. É oportuno destacar, o que muitos não se deram conta, que com o PL 318 o Governo fixa o valor dos vencimentos para abril de 2012, assim como será possível discutir e alterar o fator de cálculo da Matriz salarial em março de 2012? Com isso, supõe-se que tudo já foi decidido e nada mais será feito para recuperar as perdas salariais da categoria. Ainda faltam respostas. Será que o Governo Tarso Genro, ardilosamente, preparou esse projeto, cedendo R$ 91 reais, com a intenção de calar os brigadianos até o fim do seu mandato?

O governo do Estado teve sua chance de por em prática as promessas de campanha, mostrar que valoriza os brigadianos, mas desperdiçou essa oportunidade com um projeto autoritário, antidemocrático e discriminatório. Persuadindo algumas pessoas e grupos, ignorando a vontade da maioria da categoria que esperava por um reajuste salarial linear, decidiu com o consentimento de alguns por um projeto desigual que semeou a discórdia entre os brigadianos. Apesar de tudo isso, a ASSTBM seguirá unida e não descansará enquanto não conquistar a devida valorização profissional dos servidores de nível médio da Brigada Militar.

”Pelo poder da vantade, não pela vontade do poder”.

DEE ASSTBM



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