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Polícia fará reconstituição do assassinato de Marielle nesta quinta-feira

Reprodução bloqueará ruas de acesso ao local do crime, por questão de segurança

Reprodução bloqueará ruas de acesso ao local do crime, por questão de segurança
Reprodução bloqueará ruas de acesso ao local do crime, por questão de segurança Foto : Miguel Schincariol / AFP / CP
A Delegacia de Homicídios da Capital (DH) faz nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro, a reprodução simulada das mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorridas na noite de 14 março deste ano. A reconstituição está prevista para as 22h, no local onde ocorreu o crime, no bairro do Estácio, na zona Central do Rio.

O trabalho, feito pela Polícia Civil, contará com apoio logístico das Forças Armadas. A partir das 20h, serão interditadas as ruas no entorno do local onde ocorreu o crime. Ficarão fechados os seguintes trechos: Rua Joaquim Palhares entre as Ruas Haddock Lobo e Rua Ulysses Guimarães; Rua João Paulo I, entre a Avenida Paulo de Frontin e Rua Joaquim Palhares e Rua Estácio de Sá entre a Rua Hélio Beltrão e Rua Joaquim Palhares.

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Segundo a polícia, durante a reprodução, poderão ser disparados tiros em pontos específicos para análise da perícia. Por isso, toda a área será bloqueada para o acesso de pedestres e veículos. Por questões de segurança, os moradores da região só poderão acessar as ruas bloqueadas após serem autorizados pelos policiais.

Preparativos

A Polícia Civil e soldados das Forças Armadas já iniciaram os preparativos para a reprodução simulada (reconstituição) do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. A via onde ocorreu o crime está parcialmente bloqueada e equipamentos que serão utilizados na simulação da noite desta quinta já chegaram ao local.

Os soldados do Exército chegaram cinco caminhões com equipamentos como um gerador com refletores e uma retroescavadeira. Uma proteção balística foi instalada na esquina da rua João Paulo I, no Estácio, local do crime. Sacos de areia foram colocados na calçada, já que os policiais pretendem fazer disparos com munição de verdade durante a reprodução assistida, marcada para começar às 22 horas desta quinta-feira.

Duas horas antes, três ruas do entorno serão fechadas. Lonas escuras foram colocadas em grades próximas ao local do crime para impedir que curiosos acompanhem a reconstituição. Quatro testemunhas que passavam pelo local no momento do crime participarão da simulação. Elas serão colocadas nos locais exatos onde estavam.

A intenção da polícia é que as testemunhas tentem identificar o som dos tiros para esclarecer se a arma utilizada pelos criminosos foi uma pistola ou uma submetralhadora.

Carta

Apontado por uma testemunha como um dos mandantes do assassinato de Marielle, Orlando Oliveira de Araújo, conhecido como "Orlando de Curicica" e acusado pela Polícia de ser chefe de uma milícia e ter ordenado o assassinato de Marielle, escreveu uma carta se defendendo.

Ele está preso no Complexo de Gericinó acusado de crime semelhante, ocorrido em 2015. Na carta, divulgada pelo portal G1, Orlando de Curicica afirma que não tem "qualquer envolvimento nesse crime bárbaro". Afirma ainda que "com todo respeito à vereadora Marielle, eu nunca tinha ouvido falar dela".


Vereador acusado de envolvimento no caso

O vereador Marcello Siciliano (PHS) disse na última quarta-feira que a acusação de que ele tem envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) é um "factoide". A denúncia foi feita à polícia por uma testemunha, que agora está sob proteção. Para o vereador, o relato não tem credibilidade. A vereadora foi executada no dia 14 de março. A polícia investiga a participação de milícia no caso.

Segundo a denúncia, divulgada nessa terça-feira pelo jornal O Globo o vereador, com atuação no ramo da construção civil, teria participado no ano passado de uma reunião num restaurante com um ex-policial militar chamado Orlando de Oliveira Araújo, hoje preso, na qual teria dito que Marielle estaria lhe "atrapalhando". Ela teria sido chamada por Siciliano de "piranha do Freixo", alusão ao deputado Marcelo Freixo (PSOL), com quem a vereadora trabalhou antes de se eleger.

O assassinato da vereadora teria como motivação suas ações em favelas da zona oeste, área de domínio de uma milícia, segundo a testemunha. Marielle se opôs a construções na Cidade de Deus, favela da zona oeste, o que teria desagradado milicianos. O crime é atribuído pela testemunha a Siciliano e a Araújo.