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Polícia faz operação contra "condomínios do tráfico" em Canoas

Sete pessoas foram presas em ofensiva contra dois grupos criminosos que atuam em residenciais populares na Região Metropolitana

Operação em Canoas
Operação em Canoas Foto : Polícia Civil / CP

Dois grupos criminosos são alvo de uma ofensiva nesta terça-feira em Canoas, na Região Metropolitana. Segundo a Polícia Civil, cada facção atua em um condomínio na cidade, sendo ambos residências utilizados como pontos de tráfico. Até o momento, sete pessoas foram presas, sendo que duas já estavam recolhidas no sistema penitenciário.

A intitulada Operação Bunker decorre de um ano de investigações da 3ª DP de Canoas e soma 57 mandados cautelares, sendo ordens de prisão preventiva e de buscas, além do bloqueio de contas bancárias ligadas aos suspeitos.

Os crimes apurados são: organização criminosa, tráfico de drogas, homicídios, extorsões, cárcere privado, lavagem de dinheiro, corrupção de menores, além de outros. As lideranças das duas quadrilhas estão no sistema penitenciário.

De acordo com a delegada Luciane Bertoletti, que comanda os trabalhos, uma das quadrilhas investigadas tem apoio de uma organização criminosa com base no Vale do Sinos, em particular São Leopoldo e Novo Hamburgo. Esse bando atua em um condomínio com mais de 4,8 mil moradores no bairro Guajuviras.

“O grupo criminoso dominava não só o fornecimento de drogas no interior e ao redor do condomínio, mas também controlava a administração do próprio local, incluindo empresas de manutenção, limpeza, vigilância e até mesmo uma imobiliária. As lideranças, mesmo já recolhidas no sistema penitenciário, coordenavam todas as partes do esquema. Vale destacar que a maioria dos moradores vivia sob o silêncio imposto pelo medo ou por vantagens financeiras”, explica a titular da 3ª DP de Canoas.

Conforme Luciane Bertoletti, a investigação comprovou um vasto esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de bens, com transferências fragmentadas, recebimentos em contas de mesma titularidade em bancos diferentes, operações acima da capacidade financeira dos envolvidos e repasses de valores diversos em um mesmo dia, tudo com a finalidade de dificultar o rastreamento financeiro.

Os artifícios para encobrir a origem ilícita dos recursos incluíam transações frequentes e complexas, além de contas vinculadas a terceiros. As artimanhas também repousavam no uso de contas bancárias de indivíduos sem atividade profissional formalizada, o que reforça a hipótese que a renda oriunda do tráfico alimentava um sistema financeiro paralelo e com empresas de fachada. Como se isso não bastasse, uma hierarquia interna definia o papel que cada criminoso desempenhava na articulação.

“A organização criminosa tinha uma hierarquia bem definida, com pessoas responsáveis pela coordenação do tráfico, gerenciamento de recursos e pela preparação e embalagem de drogas. Muitos dos investigados acumulam antecedentes criminais relevantes, especialmente por tráfico, e seus métodos de comunicação via aplicativos de mensagens revelam uma logística sofisticada”, aponta a delegada Bertoletti.

A outra facção alvo da ofensiva, ainda segundo a Polícia Civil, atua no Residencial Mathias Velho, empreendimento popular que fica no bairro de mesmo nome. O local é popularmente conhecido como "Carandiru".

Nesse condomínio, segundo a polícia, atua uma gangue local chamada Família Mathias Velho, formada por dissidentes de uma facção oriunda do bairro Bom Jesus, na zona Leste de Porto Alegre. O grupo é relacionado a uma série de ocorrências graves registradas em Canoas ao longo do ano passado.

Em dezembro, os traficantes teriam mantido em cárcere privado uma mulher de 42 anos e os dois filhos, 9 e 8 anos, sendo o mais novo diagnosticado com espectro autista. O motivo teria sido o fato do pai das crianças ter deixado o grupo para se juntar aos antigos aliados da facção em Porto Alegre.

A mesma quadrilha está relacionada a ataques contra policiais da Brigada Militar em Canoas. Um exemplo disso ocorreu também em dezembro de 2024, quando os criminosos efetuaram disparos contra uma guarnição do 15º BPM que tentava prender um comparsa.

Conforme a apuração policial, os faccionados teriam feito uma espécie de pacto com o objetivo de repelir e vingar toda e qualquer atuação da BM no entorno do Residencial Mathias Velho. Como parte da represália pela atuação da polícia, eles ainda teriam coagido os moradores do condomínio a noticiar supostos abusos de autoridade na imprensa e fazer registros de ocorrência falsos.

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