A PF calcula que Mulatieri remetia cerca de 60 armas por mês do país vizinho para o Brasil. Ele foi preso na última quarta-feira em Livramento e conduzido hoje ao Presídio Central.
O suspeito pode pegar até 15 anos de prisão pelo crime de tráfico internacional de armas. A PF contou com a colaboração da polícia uruguaia para a detenção do suspeito. “Temos uma integração grande entre as polícias”, comentou Dornelles. “Posso garantir que não há como se esconder de uma perseguição policial no Mercosul.”
Prisão na rodoviária
A Polícia Federal estava monitorando o uruguaio há duas semanas. De acordo com o chefe da Divisão de Repressão ao Tráfico de Armas no Rio Grande do Sul, delegado, Cristiano Luís da Rocha Gobbo, a prisão de um motorista de ônibus no início do mês na Estação Rodoviária levou até o suspeito. O motorista, que trazia duas pistolas de uso restrito e com numeração raspada, disse ter feito pelo menos três viagens carregando armas. O destinatário também foi preso. “Daí, fomos para Livramento, onde ficamos esperando que ele (suspeito) viesse para o lado brasileiro”, contou Gobbo. “Na quarta, tivemos a informação dos colegas uruguaios que ele estaria vindo para o lado brasileiro.”
Sabendo a rota que o suspeito faria, foram acionados cerca de 20 agentes para a operação de prisão do uruguaio. A PF contou com a ajuda da Brigada Militar, que ficou responsável pela interdição das vias secundárias por onde ele poderia escapar. Além de praticar esportivamente tiro, o uruguaio também é piloto de corridas de automóveis. Quando o suspeito entrou em território brasileiro dirigindo uma caminhonete Mercedes Benz, começou a ser seguido pelos federais, até que foi barrado. “Ele não reagiu quando o abordamos, mas pareceu surpreso com a ação”, contou Gobbo.
Enquanto isso, a polícia uruguaia, tendo policiais federais como observadores, foi ao clube de tiro que pertence ao suspeito. O local funcionava de maneira ilegal, sendo que parte dele era usada como oficina para montar compartimento nos carros. No local, estavam escondidas armas que vinham para o Brasil. “Descobrimos que ele também fabricava fuzis”, disse o delegado. “No quarto da casa dele, anexa ao clube, havia um vão para esconder armas.”
Veja o vídeo divulgado pela PF