Polícia

Polícia gaúcha terá laboratório contra lavagem de dinheiro

Unidade deve entrar em operação no primeiro semestre de 2014

Tecnologia vai reforçar combate ao crime organizado
Tecnologia vai reforçar combate ao crime organizado Foto : PFl / Divulgação / CP Memória
Deve entrar em operação no primeiro semestre de 2014, na Polícia Civil, o Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD). A previsão é do chefe de Polícia, delegado Ranolfo Vieira Júnior. “Será importante para nossa investigação”, comemora, destacando a importância do LAB-DL no combate às organizações criminosas, como às do tráfico de drogas, e aos crimes de colarinho-branco. “Até o final do ano devem chegar os equipamentos”, projeta. A unidade foi viabilizada a partir do acordo de cooperação firmado pela corporação com o Ministério da Justiça. A capacitação de pessoal deve ocorrer nesse período. O LAB-LD ficará no Gabinete de Inteligência e Assuntos Estratégicos da Polícia Civil. “É uma tecnologia de Primeiro Mundo”, destaca Ranolfo. 

No país, o Ministério da Justiça já instalou 16 unidades e está implantando outras 12, somando 28 laboratórios, dentro do programa Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla). O primeiro LAB-LD no Rio Grande do Sul foi instalado em 2009 no Ministério Público Estadual. Em Santa Catarina, a Polícia Civil dispõe de uma unidade, e no Paraná há também um laboratório no MP.

Todos os 28 laboratórios compõem a Rede-LAB, que é coordenada pelo agente Roberto Zaina, da Polícia Federal em Brasília. De acordo com ele, os laboratórios atuam “na análise de dados, especialmente os oriundos de afastamentos de sigilos bancário, telefônico e fiscal, documentação contábil, entre outros, buscando a identificação de atividades ilícitas”. Além de combater a lavagem de dinheiro e corrupção, a recuperação dos valores também é uma das metas. Ele explica que são empregadas “soluções tecnológicas, metodologia e profissionais especializados”, dando suporte aos procedimentos investigativos. A equipe fornece relatórios de análise, utilizando softwares e sistemas.

Programa nacional tem 10 anos

O programa Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA) completa dez anos de criação em 2013. Além da rede dos 28 laboratórios, segundo o Ministério da Justiça (MJ), foram treinados cerca de 12 mil agentes — 900 do RS. Um dos capacitados foi o delegado Marcus Viafore, do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), em Porto Alegre. “Fiz dois cursos pela ENCCLA”, recorda. Ele foi o primeiro a coordenar uma equipe especializada, criada dentro do Denarc, para combater a lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas, em abril de 2011.

Experiência e técnica compartilhadas

A principal característica da Rede-LAB é o compartilhamento de experiências e técnicas para a análise de dados financeiros e identificação dos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, crime organizado e contra a administração pública. Nos últimos três anos, por exemplo, foram analisados mais de mil casos e identificou-se mais de R$ 18 bilhões em recursos com indícios criminosos.

O delegado da Polícia Federal Roberto Biasoli coordena a Secretaria Executiva do programa Enccla. Segundo ele, o objetivo é “aprimorar o sistema nacional de prevenção e combate à lavagem e à corrupção; integrar os órgãos e entidades que, direta ou indiretamente, atuam nesse sistema e ampliar o conhecimento das autoridades encarregadas da fiscalização, controle, investigação e persecução dos referidos crimes”. Biasoli esclarece que a Enccla não atua operacionalmente, mas “apenas incrementa a sinergia entre os órgãos”. Em novembro será realizada a XI Reunião Plenária da Enccla, com um balanço de 2013 e propostas para 2014.

Tratamento e coleta de dados

Os laboratórios de tecnologia contra lavagem de dinheiro possuem equipes de 12 pessoas e recebem, do Ministério da Justiça, computadores, scanners, softwares, além de programas com funções para análise de grandes massas de dados. Cada laboratório tem três supercomputadores, onde são instalados sistemas de coleta, tratamento e análise de dados, além de outros 12 computadores simples que servem para consultar os dados processados naqueles servidores.


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