A Polícia Civil, por meio da 1ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, deflagrou, nesta quarta-feira, a Operação Érebo, no combate a associação criminosa que praticava crimes fazendo uso de artifícios incendiários e explosivos contra instituições públicas e privadas, em Porto Alegre. Foram cumpridos, por 45 agentes, 10 mandados de busca e apreensão na Capital, em Viamão e em Novo Hamburgo. Na ação, foram localizados diversos materiais que comprovam a participação do grupo criminoso em atentados, bem como livros que relatam os feitos.
No grupo criminoso, há indivíduos brasileiros e de outros países, como bolivianos, chilenos e franceses, além de alunos de mestrado e doutorado em Antropologia em Porto Alegre. Pelo menos 30 pessoas estariam envolvidas em mais de 10 ataques com explosivos. “Pelo menos 12 pessoas atuavam efetivamente nos atentados mas, indiretamente, entre 30 a 40 estavam envolvidas”, afirmou o delegado Paulo César Jardim.
Em um dos locais vistoriados pela Polícia Civil, no bairro Azenha, foram apreendidos artefatos caseiros utilizados na fabricação de coquetel molotov (arma química incendiária). Além disso, também foram coletados vídeos dos ataques e cartilhas de atentados semelhantes ocorridos em outros países. Com os materiais apreendidos, a Polícia Civil possui diversas provas contra os autores, que já foram identificados. Todo material será encaminhado para análise da perícia técnica. Os crimes pelos quais os autores devem responder são: organização criminosa, formação de quadrilha e tentativas de homicídio.
Segundo Jardim, as investigações tiveram início em meados de 2016 quando ocorreram atentados contra a 1ª Delegacia de Polícia da Capital. “Foi colocado um explosivo com temporizador em uma viatura policial, que felizmente não funcionou.
Depois foi realizado outro atentado contra a 1ªDP, o que desencadeou o início das investigações”, contou o delegado. Ao total são 11 inquéritos instaurados para apurar diversos fatos praticados pelo grupo investigado, como ataques a viaturas policiais civis e militares, incêndio no pátio da Secretaria de Segurança Pública (SSP-RS), ataques a sedes de partidos políticos, igrejas, prédios públicos, bancos privados e concessionárias de veículos. “Também foi realizado um atentado a um veículo oficial do Consulado da Alemanha, em Porto Alegre”, complementou o delegado. Conforme Jardim, a quadrilha tem o objetivo de criar pânico em Porto Alegre.
O Chefe de Polícia, delegado Emerson Wendt ressaltou a importância da ação realizada nesta manhã, em razão que o grupo criminoso atacava instituições como a Polícia Civil, Brigada Militar e a própria SSP-RS. “Em um dos livros apreendidos na operação, os suspeitos relatavam incêndios a viaturas policiais, demonstrando o menosprezo, deboche e desrespeito ao próprio Estado”, relatou Wendt.
Polícia identifica autores de ataques com explosivos contra instituições
Operação Érebo, deflagrada nesta quarta-feira, cumpriu 10 mandados de busca e apreensão