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Polícia indicia cinco pessoas por acidente no Park Tupã, em Porto Alegre

Caso foi registrado em outubro, quando duas adolescentes despencaram de um brinquedo

A Polícia Civil confirmou, nesta quarta-feira, a conclusão do inquérito sobre um acidente envolvendo duas adolescentes, de 16 e 17 anos, no Park Tupã, em Porto Alegre. O caso foi registrado no início de outubro, quando as jovens despencaram de um brinquedo. Cinco pessoas foram indiciadas.

O delegado titular da 2ª DP da Capital, Vinicius Nahan, indiciou dois dos sócios do Park Tupã, além de um operador e dois responsáveis técnicos pelo equipamento em que ocorreu o acidente. Eles vão responder por lesão corporal grave com dolo eventual e por prestarem afirmações falsas ou enganosas no laudo técnico do brinquedo.

A reportagem tenta contato com a defesa dos investigados. O espaço permanece aberto para manifestações.

Doze pessoas foram ouvidas no curso da investigação, incluindo vítimas, testemunhas e os indiciados. Também houve a analise de fotos, vídeos e de uma perícia técnica do Instituto Geral de Perícias (IGP).

O laudo pericial não identificou falha mecânica no brinquedo, mas apontou que a válvula pneumática das travas dos assentos não era a original, ou seja, foi modificada. A mudança da peça permitia que o equipamento funcionasse sem estar totalmente travado.

Ainda conforme o resultado da perícia, o brinquedo também sofreu alterações nas configurações originais, o que teria ocorrido sem a devida aprovação ou supervisão técnica exigida pelas normas da ABNT. O trabalho do IGP detectou mudanças em um dispositivo chamado “Sensor de Fim de Curso”, que é o mecanismo através do qual a cabine de comando é avisada se a estruturada está ou não com as travas ativadas.

O delegado Vinicius Nahan adiciona que não foi apresentado o Livro de Registro do equipamento, item obrigatório, segundo normas técnicas, que deveria documentar modificações e manutenções realizadas. Ele destaca que o “Laudo de Inspeção da Montagem, Desmontagem, Mecânica e Segurança dos Brinquedos” fornecido pelos investigados não mencionava as alterações feitas no equipamento.

“O acidente foi causado pelas mudanças indevidas no sistema de travamento e pela falha operacional humana”, conclui o titular 2ª DP de Porto Alegre.

Relembre o acidente

A ocorrência foi registrada no dai 6 de outubro de 2024. Na data, duas adolescentes sofreram uma queda do brinquedo “Orbiter”, que vira de cabeça para baixo.

Uma das vítimas, 16 anos, foi atendida no Hospital de Pronto Socorro e recebeu alta. Outra, 17 anos, teve fraturas em duas vértebras e na perna, e precisou passar por cirurgia.

A jovem ainda apresenta dificuldades para se locomover e deve passar por novos exames para verificar se alguma das lesões que sofreu é permanente.

Dias após o acidente, e em meio às investigações da PC, o Park Tupã encerrou as atividades em Porto Alegre. Na época, a gestão do empreendimento divulgou uma nota afirmando que sempre prezou pela segurança e bem-estar dos visitantes e que, em respeito à segurança dos clientes e a seriedade com que a gestão trata qualquer questão envolvendo as operações, foi tomada a decisão de encerrar antecipadamente os serviços Capital.