No dia 3 de janeiro, a Polícia Civil e a Polícia Ambiental de Erechim estiveram no local constatando o crime ambiental. De acordo com a polícia, o caminhoneiro, ouvido em Passo Fundo, negou a acusação. Segundo o delegado Vanderli Leandro, o inquérito foi elaborado com o uso de imagens das câmeras de segurança de um posto de combustíveis, às margens da BR 153, onde o caminhão teria estacionado. “As imagens mostram os horários em que o caminhão saiu e chegou nas duas oportunidades”, disse.
A investigação reuniu fotos e testemunhas que dizem ter visto o caminhoneiro e o caminhão com os pneus sujos pelo produto. A investigação apurou ainda que uma empresa de Erechim, teria contratado outra de Chapecó, em Santa Catarina, para realizar o descarte correto do produto. No entanto, a empresa catarinense contratou uma terceira, em Passo Fundo, para fazer o transporte da carga. O motorista teria deixado o produto tóxico às margens do rio. O delegado Vanderli não acredita que toda a carga tenha sido jogada no Lajeado Henrique. “O caminhão transportava 30 mil litros do produto. Se todo ele fosse lançado ao rio, teríamos um desastre muito maior”, avalia o delegado.
Se condenado, o indiciado pode pegar de um a quatro anos de reclusão e multa. A empresa pode ainda ser condenada a reparar os danos causados ao meio ambiente. O inquérito policial foi encaminhado à justiça. O promotor Maurício Sanchotene de Aguiar, disse nesta quinta-feira, que ainda não teve acesso ao inquérito, mas se forem necessárias, novas diligências serão solicitadas, bem como o laudo da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).
Além da poluição, o 2º Pelotão de Polícia Ambiental (Patram) e a Polícia Civil constataram o aparecimento de peixes mortos no rio. O problema começou antes, numa nascente de água no município de Erechim, que logo se transforma num córrego que desemboca no Lajeado Henrique. Naquele local, alguém teria largado o produto tóxico. À medida que avançavam no rio Lageado Henrique, as autoridades descobriram centenas ou milhares de lambaris, jundiás, traíras e cascudos mortos. A água parecia “leite” e tinha um forte cheiro.
Na época, a Fepam concluiu que o produto tóxico descartado se tratava possivelmente de um desengraxante de material orgânico, usado normalmente para limpeza de tanques em indústrias que trabalham com produtos alimentícios, citando como exemplo, os setores de frigoríficos, abatedouros e lacticínios.