Depois de denúncias anônimas, a polícia deu início às investigações. Com mandado de busca, policiais entraram na clínica no final da manhã desta terça-feira e teriam sido recebidos com pedidos de socorro pelos internos, que teriam dito que estavam cansados de apanhar. Os pacientes contaram que eram agredidos com tapas, socos e, inclusive, com golpe de meias recheadas com sabonetes. Os policiais encontraram vestígios de sangue nos colchões, nas paredes e no teto.
Dois adolescentes que já haviam sido liberados pela clínica, ouvidos por carta precatória, confirmaram os maus tratos. Um deles afirmou que teria sido sodomizado com um cabo de vassoura. Duas adolescentes internadas relataram aos policiais que teriam sido obrigadas a tomar medicamentos abortivos e teriam tido a gravidez interrompida dentro da clínica.
Dos 72 pacientes internados, 49 sofrem de esquizofrenia e 23 são dependentes químicos – 14 são adolescentes entre 15 e 18 anos incompletos, entre eles quatro meninas. Todos foram encaminhados ao Departamento Médico Legal para exame de lesões corporais.
O delegado responsável pelo caso, Mário Pezzi, afirmou que há fortes indícios de tortura. Quatro pessoas que estavam trabalhando na clínica no momento da ação policial foram conduzidas para a DPCA, onde estão sendo ouvidas. No final da tarde, o delegado deve anunciar por quais crimes os responsáveis pela clínica devem ser indiciados e se vai pedir a prisão dos mesmos.
A ação da policia foi acompanhada pelo Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente, pelo Ministério Público e pela Vigilância Sanitária, com apoio da Brigada Militar.