As circunstâncias que envolvem o assassinato da vereadora Elisane Rodrigues dos Santos (PT), 49 anos, em Formigueiro, ainda não foram elucidadas por completo. Uma mulher apontada como mandante e o autor confesso do crime estão presos, mas a Polícia Civil ainda busca identificar outros envolvidos.
Conforme revelado no interrogatório do filho da vereadora, ela seria “tesoureira” de uma facção. O grupo criminoso é oriundo da Vila Bom Jesus, na zona Leste de Porto Alegre, mas também criou ramificações na Região Central.
Após o homicídio, no dia 17 de junho, os policiais localizaram R$ 500 mil em duas contas bancárias da petista. O montante é incompatível com o salário dela na Câmara de Formigueiro, de aproximadamente R$ 3,9 mil.
“O meio milhão está dividido em dois bancos diferentes, sendo que a família tinha conhecimento de apenas uma das contas. Os valores que Elisane movimentava são incompatíveis com o padrão de vida que tinha. Sabemos que ela atuava como tesoureira de uma facção, mas ainda estamos apurando qual a extensão desse posto na hierarquia do tráfico”, pontuou o delegado regional Sandro Meinerz.
Ainda em junho, foi preso um jovem de 18 anos que confessou a autoria do assassinato. O rapaz, com a falsa promessa de vender carnes, teria atraído a petista a uma propriedade rural, onde ela acabou sendo esfaqueada múltiplas vezes.
O crime teria sido retaliação ao filho de Elisane, também integrante da quadrilha, disse o preso. Os investigadores, entretanto, desconfiam que as motivações tenham relação com a gerência dos lucros do tráfico.
Na última quinta-feira, uma mulher de 26 anos foi presa em Gravataí. Ela vivia em Restinga Seca, mas fugiu do município após o ataque. Apesar de ser considerada mandante, não é descartado que tenha recebido autorização da cúpula do grupo criminoso para dar sequência ao plano.
"Essa mulher que prendemos não chega a ter papel de chefia. Em geral, as ordens partem de lideranças que, muitas vezes, estão dentro do sistema prisional. Não descartamos outros suspeitos, mas ainda estamos trabalhando para identificá-los”, ponderou Sandro Meinerz.
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