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Polícia investiga relação entre homicídios e grupos financiados por facção em Santa Maria

Facção com base no Vale do Sinos patrocinaria quadrilhas locais, aponta investigação

Santa Maria registrou cinco mortes entre quarta e quinta-feira
Santa Maria registrou cinco mortes entre quarta e quinta-feira Foto : Renato Oliveira / Rádio Imembuí / CP

A semana registrou alta nos homicídios em Santa Maria. Foram cinco mortes em dois dias, sendo quatro em menos de 12 horas. À exceção de um caso, o restante teria ligação com disputas do tráfico. Os envolvidos, segundo a Polícia Civil, são grupos patrocinados por uma facção, que também age em outras cidades gaúchas.

De acordo com a instituição, há pelo menos sete grupos que atuam no tráfico de drogas no município da região Central. No entanto, quase todas as mortes registradas na semana teriam relação com duas quadrilhas, ambas subsidiadas por uma organização criminosa com base no Vale do Sinos.

Ainda segundo as investigações, a facção do Sinos, mais estruturada, envia dinheiro, armas e entorpecentes para núcleos menores em Santa Maria. Por consequência, os bandos acabam disputando o controle de pontos de tráfico.

As últimas mortes ocorreram entre quarta e quinta-feira. Desde janeiro, a cidade soma 13 homicídios. No mesmo período do ano passado, foram sete. De acordo com a Secretaria estadual de Segurança Pública, 80% dos casos tinham relação com o crime organizado.

Grupo foi alvo de operação

As gangues Comando Km 2 (CK2) e Primeiro Comando de Santa Maria (PCS), subsidiadas pela facção do Sinos, estariam envolvidas nos homicídios recentes. Já as ordens das execuções, teriam partido do sistema prisional, onde estão as respectivas lideranças.

No início da semana, traficantes do primeiro grupo divulgaram vídeos com ameaças ao segundo. As imagens, que circulam nas redes sociais, mostram dois jovens ostentando armas de grosso calibre.

O bando que aparece nas gravações foi alvo de uma operação do 2° Batalhão de Polícia de Choque, na quinta-feira. A ação ocorreu em um imóvel na rua Doutor Bozano, no bairro Bonfim, na região central de Santa Maria.

Houve troca de tiros e um criminoso morreu. Ele tinha 19 anos e estava foragido. Outros três comparsas dele foram presos.

A ofensiva resultou ainda na apreensão de uma espingarda calibre 12, três pistolas, um fuzil, porções de drogas, celulares e munições. Também foram localizados três coletes a prova de balas.

Quatro homicídios em um dia

Os presos são investigados por ao menos três dos homicídios que antecederam a operação. Os crimes aconteceram na quarta-feira.

O primeiro caso ocorreu próximo às 13h, quando um homem de 30 anos foi baleado e morto. O corpo dele foi localizado na rua Raimundo Corrêa, no bairro Carolina.

A segunda vítima foi uma mulher de 42 anos. Ela morreu após ser atingida por um disparo na cabeça. O crime ocorreu às 20h35min, na localidade conhecida como Beco da Tela. Segundo a polícia, o alvo seria o marido dela, que não estava no local.

Um terceira ataque a tiros foi registrado às 23h15min. O alvo dos disparos foi outro homem, de 22 anos. A morte ocorreu na rua Violeta, no bairro Noal.

Ainda na quarta-feira, além das três execuções, outro assassinato ocorreu às 14h50min. O caso seria o único sem elo com o tráfico. Na ocasião, um homem de 22 anos foi esfaqueado e morto na rua Duque de Caxias, supostamente por conta de dívidas. O autor do crime foi preso em flagrante.

Reforço da segurança

Após as mortes, o Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGI-M) convocou uma reunião de emergência, na quinta-feira. O órgão, criado em 2009, reúne integrantes das forças policiais de Santa Maria.

O encontro foi no Centro Integrado de Operações de Segurança Pública de Santa Maria (Ciosp). Estiveram presentes a Brigada Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal e Guarda Municipal, além de representantes da Prefeitura. Uma coletiva foi realizada após a reunião.

Conforme o vice-prefeito de Santa Maria e coordenador do GGI-M, Rodrigo Decimo, a fiscalização de ferros-velhos e reciclagens será reforçada. A medida ocorre após duas das cinco vítimas serem mortas em estabelecimentos do tipo.

Ainda segundo o vice-prefeito, o Executivo municipal também pretende agilizar a instalação de bloqueadores de sinal telefônico em presídios locais.

“Faremos uma fiscalização conjunta em alguns estabelecimentos indicados pelas forças de segurança [...] Além disso há necessidade de um sistema de bloqueio de celulares na penitenciária regional. O processo já está tramitando no Governo e a Prefeitura, através da Secretaria de Segurança, pode contribuir para a aceleração desse processo”, destacou.

O comandante do Comando Regional de Polícia Ostensiva Central, coronel Cleberson Bastianello, enfatizou que há efetivo disponível e tecnologia para enfrentar o crime organizado. Ele também chamou atenção aos usuários, que compram drogas e financiam o tráfico.

“As policias têm condição de fazer frente às ações criminosas. Temos armamentos iguais ou melhores, além de policiais com treinamento qualificado”, disse.

“Se há confronto entre grupos rivais, é porque disputam um mercado, que é fomentado por quem consome o produto. Não são apenas os órgãos policiais que vão resolver o problema. A sociedade precisa perceber que, se ocorre confronto, é porque esse produto tem um mercado em evolução”, ponderou o oficial.