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Polícia prende 30 envolvidos com ataques em Santa Catarina

Momento de maior violência dos últimos quatro dias aconteceu entre a noite de quarta e a madrugada desta quinta

Ônibus foi queimado no bairro Ingleses, no Norte de Florianópolis
Ônibus foi queimado no bairro Ingleses, no Norte de Florianópolis Foto : Luiz Evangelista / Notícias do Dia / CP
Trinta pessoas foram presas por envolvimento com os ataques realizados desde segunda-feira, em Santa Catarina, informou nesta quinta-feira, o governador Raimundo Colombo. O Estado viveu entre as 20h de quarta-feira e a manhã desta quinta o momento de maior violência dos últimos quatro dias, com ao menos 12 ataques registrados - pela primeira vez, os atentados deixaram feridos.

Por volta da meia-noite, criminosos atearam fogo em um ônibus, em Palhoça. As pessoas tiveram dificuldade em sair do veículo em chamas. O motorista teve que ser levado ao hospital por sofrer queimaduras leves. Às 20h, no bairro Ingleses, no norte da ilha, um ônibus foi incendiado. Três criminosos teriam entrado no ônibus, ordenando que todos saíssem do veículo. O fogo assustou fiéis de uma igreja que assistiu a missa em local próximo.

Os suspeitos foram detidos no momento em que tentavam deixar a região de carro. Um deles é menor de idade. Segundo informações do comandante do 16º Batalhão da Polícia Militar de Palhoça, tenente-coronel Áureo Sandro, o trio exalava um odor de combustível quando foi encontrado. 

O atentado, o 27º desde a segunda-feira, atingiu um ônibus da empresa Jotur, na localidade Caminho Novo. Conforme o relato do coordenador de tráfego da companhia, Luiz Fonseca, os criminosos colocaram fogo no coletivo quando o motorista e o cobrador estavam dentro do veículo. Dois passageiros que estavam na parte da frente foram impedidos de sair.

Por volta das 22h30min, uma escola desativada, também no norte da ilha, foi incendiada. O local costuma ser ponto de consumo de drogas. O prédio ficou completamente danificado. A Capital também registrou um ataque a uma base da Polícia Militar, no Parque São Jorge. O artefato, no entanto, não explodiu.

Em Itajaí, bandidos roubaram um carro para atear fogo logo em seguida. Em Tijucas, próximo a Florianópolis, outros dois ônibus foram incendiados. Um deles pertence à secretaria de Educação de Porto Belo (cidade vizinha).

Em São José, dois motoqueiros atiraram contra a base de videomonitoramento da Polícia Militar. Pela primeira vez, os criminosos realizaram um atentado à luz do sol. Nesta manhã, em Itajaí, um ônibus foi incendiado. Todos os passageiros conseguiram sair, mas um homem teve que dirigir o veículo até um terreno baldio para evitar que as chamas se atingissem as casas próximas.

RS em alerta contra ataques

Autoridades da Segurança Pública do RS estão em alerta devido à onda de atentados em Santa Catarina. Nos presídios, a orientação repassada de forma verbal aos agentes era para que ficassem atentos a qualquer movimentação estranha. Porém, um agente lotado na região Metropolitana, que pediu para não ser identificado, disse que o clima é calmo.

Segundo o o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, atualmente três facções — Os Manos, Os Abertos e os Bala na Cara — detêm certo poder nas casas prisionais. “A facção que pode querer fazer alguma coisa, como em SC, é a dos Bala na Cara”, disse. “Além de ser o grupo mais violento, são vaidosos e fariam isso para elevar seu status nos estabelecimentos penais”, disse.

O agente explicou que Os Abertos têm mais poder nas cadeias gaúchas, mas não se envolveriam em atentados, por se voltarem ao tráfico. O mesmo ocorre com os Manos, fação que, ao longo do tempo, perdeu influência e atua com o tráfico.

A Polícia Civil monitora com atenção os acontecimentos no estado vizinho. Os integrantes da instituição, no entanto, não acreditam que a onda de violência atinja o RS. Integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) tentaram cometer crimes no Estado e chegaram a ficar detidos nas cadeias gaúchas — especialmente na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) —, mas não tiveram influência sobre a massa carcerária.

O tenente-coronel Paulo César Franquilin, da Assessoria de Direitos Humanos da BM, considera o perfil do detento gaúcho diferente do resto do país. Segundo ele, isso faz com que as facções não sejam tentadas a imitar as existentes em outros estados.

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