A delegada Débora Dias, titular da Delegacia da Mulher, revelou que a informação chegou à polícia no último dia 18, quando hematomas foram vistos no corpo da menina durante o período escolar da jovem. Acompanhadas pela Brigada Militar (BM), professoras encaminharam a menina à delegacia, onde ela relatou os abusos sofridos pelo padrasto e pela atual companheira dele.
De acordo com as investigações, os abusos começaram em 2006, quando a mãe da jovem morreu. O padrasto, que ajudou a criar a jovem desde os dois anos de idade, solicitou a guarda, que foi concedida pela Justiça. A partir disso, os abusos começaram e não pararam nem mesmo depois que o suspeito iniciou um novo relacionamento. A atual companheira, segundo a Polícia, era conivente com os abusos e também agredia a jovem. Três outras crianças, de 12, cinco e um ano e meio, filhas do casal preso, conviviam na mesma casa e devem passar por acompanhamento para investigar possíveis abusos. A dupla também deve ser indiciada por tentativa de homicídio, uma vez que o suspeito é portador do vírus HIV.
Dois anos antes de conseguir a guarda da menina, o homem havia sido condenado por atentado violento ao pudor contra outras duas crianças, de sete e três anos de idade. Mesmo após os crimes e tendo cumprido parte da pena, a Justiça concedeu a guarda da enteada ao suspeito após a morte da mãe. A delegada Débora Dias ressaltou que a menina tinha o comportamento típico de quem passa por abusos: sempre vestida com roupas de mangas longas e golas altas, tentando evitar os olhares de outras pessoas. Em 2009, uma denúncia envolvendo maus-tratos foi efetuada, mas nada foi comprovado.
A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) recebe na segunda-feira o material coletado até agora para iniciar as investigações referentes às três crianças que viviam em companhia do casal. Os suspeitos foram encaminhados para os presídios de Santa Maria, onde devem permanecer presos preventivamente.