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Polícia prende dupla suspeita de esquartejar mulher na Capital

Após uma negativa inicial, Justiça decretou as prisões preventivas de amante e sogro da vítima

Partes do corpo da vítima foram enterradas no quintal de um dos suspeitos
Partes do corpo da vítima foram enterradas no quintal de um dos suspeitos Foto : Polícia Civil / Divulgação / CP
Os dois homens envolvidos na morte e esquartejamento de Cíntia Beatriz Lacerda Glufke, 34 anos, foram presos preventivamente na tarde desta sexta-feira. O amante da mulher, de 25 anos, foi localizado quando chegava em sua residência, no bairro Mário Quintana. Já o sogro da mulher, de 63, estava em um estacionamento na rua Freitas de Castro, no bairro Azenha, próximo ao Palácio da Polícia para onde foi levado.

Eles já tinham sido detidos na noite de quinta-feira, mas a juiza plantonista tinha negado a prisão na madrugada desta sexta-feira. Pela manhã, o Ministério Público ingressou com um pedido de reconsideração da decisão, o que acabou sendo acatado pelo juiz Felipe Keunecke de Oliveira. O magistrado analisou que novas peças e elementos juntados aos autos preencheram os requisitos para autorizar a prisão.

O amante confessou o crime e disse que a morte tinha sido planejada pela dupla três dias antes do assassinato. Ele receberia mil reais caso topasse participar do crime e outros 3 mil dólares, além da possibilidade de se mudar para um país de língua inglesa, se tudo desse certo. Entretanto, o jovem nega ter golpeado ou esquartejado Cíntia, pondo a culpa no sogro.

A delegada da 5ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Jeiselaure Souza, observa que há indícios que apontem a participação dos dois homens. “Isso não foi obra de uma pessoa, até pela dinâmica dos fatos. Então é provável que eles tenham se ajudado.” A policial observa que o corpo de Cíntia foi cerrado por uma máquina de cortar piso. “Os cortes são muito precisos. O sogro é artesão, lida com couros, cortes de bolsas. Seria uma pessoa que teria habilidade de fazer (os cortes), mas essas informações estão sendo averiguadas.”

A delegada observa que outras pessoas possam ter participação na ocultação do cadáver. “Nós já temos ciência que outras pessoas cavaram aquele buraco, onde ela estava enterrada no Mário Quintana. E nos chamou a atenção desde o início da investigação do desaparecimento que curiosamente naqueles dias que ela desapareceu as câmeras do prédio não estavam funcionando. E é uma das coisas que o suspeito aponta no depoimento dele, que teria sido feito um contato para que fossem desligadas as câmeras, para não ter prova nesse sentido.”

Mas e a motivação para crime? Cíntia, que era casada, mostrava contrariedade no término do relacionamento com o amante. “Segundo alguns áudios da Cíntia, ela dizia que ele iria se arrepender de ter terminado, que ela estava sofrendo.” Para a reportagem do Correio do Povo, o amante disse que era forçado a ficar com a mulher, por cerca de um ano e meio e sofria ameaças caso não continuasse o relacionamento. “Ela me batia o tempo todo, espancava, torcia minhas orelhas e ela sempre foi muito agressiva, mas eu sempre perdoava ela. Nunca me passou pela cabeça fazer nada contra ela.”

Ele observa que o mentor do crime seria o sogro da mulher e que teria participado por receber ameaças de morte contra ele e sua família. Já o sogro era contrário ao relacionamento de Cíntia com seu filho, segundo a delegada. “Ele achava que o seu filho merecia alguém melhor, alguém mais educado. E o Werner, em princípio, teria sabido dessa relação extraconjugal com a Cíntia e não aceitaria que o filho fosse vítima de traição.” O sogro não quis falar com a imprensa.

O amante se disse “totalmente arrependido” de ter participado do crime. Mas por que não fugir, acionar a polícia e não participar da morte de Cíntia? “Eu confesso que eu tenha sido covarde. Tinha medo realmente. Teve uma ocasião que ela me bateu, me machucou bastante, no qual eu poderia ter ido na delegacia, estava com hematomas. Meu psicológico, desde o início estava muito abalado. Eu chorava pelos cantos.”

Ainda em relação a motivação para o crime, o amante diz que não usou, em nenhum momento, a raiva que tinha de Cíntia - devido as agressões - para participar da morte. “Eu sempre perdoava ela. O (sogro) que fez tudo isso e foi me incriminando. Eu agi sempre com medo. Eu não sou uma pessoa má. “

O jovem observa que a ideia de deixar parte do corpo em Porto Alegre e o restante em São Joaquim (SC) foi ideia do sogro. “Ele sabia que eu iria visitar uma parente por lá e me fez levar a mala.” Jeiselaure observa que o corpo foi encontrado a 200 metros da rodoviária, o que demonstra que ela só se deslocou para Santa Catarina para desovar o corpo de Cíntia.