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Polícia quer novo depoimento do goleiro Bruno

Jogador é suspeito de envolvimento no desaparecimento da ex-namorada Eliza Samudio

A Polícia Civil de Minas Gerais já reuniu os subsídios que considerava necessários para ouvir o goleiro Bruno Fernandes, do Flamengo, no inquérito que apura o desaparecimento de Eliza Samudio, de 25 anos. O chefe do Departamento de Investigação (DI), delegado Edson Moreira, informou hoje que iniciou uma negociação com os advogados do atleta para que ele preste depoimento na sexta-feira, durante o fim de semana ou, no máximo, na próxima semana. O interrogatório deverá ser feito em data próxima à divulgação do resultado do exame de DNA no sangue encontrado na caminhonete Range Rover do goleiro.

Bruno é considerado o "suspeito número um" no inquérito que apura o sumiço da jovem, sua ex-amante, e com quem teria um filho de quatro meses. Eliza cobrava na Justiça do Rio de Janeiro o reconhecimento da paternidade da criança, registrada com o nome de Bruno. Ela está desaparecida há quase um mês, desde o início de julho, quando teria ido a Minas a convite do goleiro.

Com a dificuldade de encontrar um possível corpo, a polícia avança na tese de homicídio sem a localização do cadáver. O delegado afirmou hoje que o inquérito "caminha" para o indiciamento de Bruno e outros suspeitos por homicídio. "O artigo 158 do Código de Processo Penal me faculta o seguinte: quando o crime deixar vestígios, eu tenho que fazer o corpo de delito, que pode ser direto ou indireto. Direto seria o corpo. O indireto são vestígios ou provas testemunhais que me provem que aconteceu aquele determinado crime."

A partir de sexta-feira, os delegados responsáveis pelo caso pretendem ouvir também Luiz Henrique Romão - o Macarrão, espécie de braço direito de Bruno e um dos principais investigados -, sua mulher e dois primos do jogador. Macarrão deverá ser ouvido na segunda-feira, informou o advogado do suspeito, Ércio Quaresma. "Estamos acertando o melhor momento", disse o delegado, para quem o contato com os advogados "praticamente já é uma intimação."

A disposição da polícia em ouvir o goleiro e outros suspeitos principais revela que a investigação avançou satisfatoriamente, apesar da não localização de um eventual corpo. Conforme depoimentos, o goleiro esteve em seu sítio do dia 6 ao dia 10 do mês passado. Ele afirmou que não via Eliza há pelo menos dois meses.

Dayanne

A mulher do goleiro, Dayanne Souza, de 23 anos, deverá depor novamente amanhã, segundo Quaresma. Dayanne, que chegou a ser presa em flagrante por subtração de incapaz ao tentar esconder o bebê após o cerco policial, ganhou o direito de responder em liberdade. A polícia, contudo, quer esclarecer contradições de seu depoimento com o de testemunhas.

Hoje, Moreira confirmou que pessoas que estiveram no sítio de Bruno em Esmeraldas, na região metropolitana da capital mineira, disseram ter visto Dayanne no local no período investigado, nos dias 5 e 6 de junho. Em depoimento anterior, ela havia alegado que chegou ao sítio apenas no dia 23 e não confirmou a presença de Eliza no local.

Os delegados responsáveis pelo caso colheram hoje o depoimento da avó de Bruno, Estela Santana Trigueiro, de 78 anos. A idosa, que criou o goleiro - abandonado pela mãe com três dias de vida -, foi ouvida em casa, em Ribeirão das Neves.

DNA

Sônia de Fátima Moura, de 44 anos, mãe de Eliza, vai ceder uma amostra de saliva. Os vestígios encontrados na Range Rover foram confrontados com o material genético colhidos do pai da jovem, Luiz Carlos Samudio, e do bebê. Moreira se reuniu pela manhã com o diretor do Instituto de Criminalística (IC), Sérgio Ribeiro, cobrando celeridade na divulgação do resultado. Ribeiro disse que "tudo indica" que o resultado deverá ser divulgado até o fim da semana. A Polícia Civil estaria se resguardando com a realização de contraprovas.

O Corpo de Bombeiros encerrou nesta tarde as buscas pelo suposto corpo de Eliza na Lagoa Suja, no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves. Os policiais vasculharam o local após uma denúncia anônima, que dizia que o suposto corpo da jovem teria sido jogado no local amarrado a pedras e estaria no fundo da lagoa - que fica próxima à residência de Macarrão e funcionários do sítio de Bruno que estão sendo investigados. Na região, durante uma diligência, os policiais também encontraram escondido em uma casa o filho da jovem. A hipótese de esvaziar a lagoa foi descartada.

Moreira tratou com cuidado a apreensão por policiais da Divisão de Homicídios no Rio, na casa de Bruno, de um adolescente de 17 anos que teria confessado envolvimento no sequestro e agressão a Eliza. "Essa hipótese vai ser checada", disse o chefe das investigações conduzidas pela polícia mineira.