A Polícia Civil quer trazer de volta ao Rio Grande do Sul o criminoso gaúcho que está no topo da lista de procurados da instituição e que foi preso nessa quinta-feira pelas autoridades paraguaias. Líder da facção Anti-Bala, formada por várias quadrilhas contrárias aos Bala na Cara, Nego Jackson, 32 anos, foi detido na cidade de Pedro Juan Caballero, na fronteira com Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Ele, junto com outros três cúmplices também gaúchos, são investigados naquele país pelos assassinatos de um traficante sul-mato-grossense e de sua namorada, ocorrido no dia 2 deste mês na capital Assunción.
Houve a apreensão de armas, celulares e documentos falsos. O homem morto era o braço-direito do narcotraficante catarinense Pavão, que encontra-se recolhido na Penitenciária de Tacumbú, em Assunción. Pavão teria apoio da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC). A execução do casal pode estar relacionada ao assassinato do megatraficante conhecido com o “Rei da Fronteira”, em junho do ano passado no Mato Grosso do Sul, aliado da facção carioca Comando Vermelho (CV) que está em guerra com o PCC após décadas de convivência amistosa.
Em Porto Alegre, o titular da Delegacia de Capturas do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), delegado Arthur Raldi, informou na manhã de ontem que o pedido para que o criminoso seja expulso do país já foi encaminhado, O objetivo é evitar que Nego Jackson acabe solto pelas autoridades paraguaias, já alertadas sobre a periculosidade do bandido. “Ele é quem mais tem mandados de prisão preventiva decretados, um total de 12, respondendo por nove homicídios”, observou, acrescentando que a intenção é deixá-lo recolhido na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas. Caso a expulsão seja deferida, os policiais civis gaúcho deverão viajar até a fronteira do Paraná com o Paraguai para buscá-lo.
Com extensa ficha de antecedentes criminais, Nego Jackson está na lista do mais procurado desde 2013. A base do criminoso é a área denominada de Cantão, no bairro Vila Jardim, em Porto Alegre. A região é um dos palcos sangrentos da guerra entre as duas facções rivais que disputam sobretudo o controle do tráfico de drogas na cidade. O titular da Delegacia de Capturas do Deic acredita que Nego Jackson montou uma base no Paraguai para trazer diretamente armamento e drogas à sua facção, servindo ainda como refúgio. O suposto envolvimento de Nego Jackson com toda a disputa pelo narcotráfico na fronteira permanece uma incógnita.
Polícia quer trazer ao Rio Grande do Sul criminoso que está no topo da lista de procurados
Líder da facção Anti-Bala foi preso ontem no Paraguai