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Polícia retoma buscas em sítio de Bruno em MG

Veterinário auxilia policiais a conseguir provas de que restos mortais de Eliza teriam sido comidos por cachorros

Polícia retoma buscas em sítio de Bruno em MG
Polícia retoma buscas em sítio de Bruno em MG Foto : Cristiano Couto / Hoje em Dia / AE /CP
A Polícia Civil de Minas Gerais retomou nesta terça-feira as buscas no sítio do goleiro Bruno Fernandes Souza, em Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte. As buscas foram retomadas após o depoimento do administrador do sítio, Elenilson Vitor da Silva, um dos suspeitos de envolvimento com o desaparecimento de Eliza Samudio, de 25 anos.

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De acordo com o advogado Frederico Franco - que faz parte da equipe de Ércio Quaresma, advogado de Bruno e outros cinco suspeitos -, Elenilson não respondeu às cerca de 20 perguntas formuladas pelos delegados, se reservando ao direito de permanecer em silêncio e só falar em juízo.

Segunda-feira, ele havia sido ouvido e confirmou informações prestadas anteriormente, no início do inquérito. "Ele prestou dois depoimentos anteriores na qualidade de testemunha e hoje prestou o primeiro na qualidade de investigado", disse Franco.

Veterinário ajuda polícia

A Polícia Civil mineira requisitou os trabalhos de um veterinário para tentar recolher material que possa comprovar se Eliza foi mesmo morta como o descrito em depoimentos - ela teria sido estrangulada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, esquartejada e seus restos mortais jogados para cães da raça rottweiler. Os cachorros foram apreendidos na casa do ex-policial, em Vespasiano (MG), onde a jovem teria sido morta.

O veterinário Fernando Pinto Pinheiro compareceu na manhã desta terça-feira ao Departamento de Investigação (DI) a convite do delegado Edson Moreira e sugeriu um possível trabalho de perícia envolvendo os cães. De acordo com Pinheiro, ainda é possível encontrar unhas e cabelos nas fezes secas dos cães, que foram recolhidas pelos policiais.

Segundo ele, como o crime teria ocorrido há mais de um mês, exames internos nos animais, como endoscopia, não apresentariam resultados. O veterinário também acredita que é possível utilizar o reagente Luminol na pelagem dos animais para detectar a presença de eventual sangue da vítima.

Pinheiro ressaltou que os cães da raça rottweiler são "extremamente vorazes, agressivos, perigosos e se não forem bem adestrados chegam a ser até incontroláveis". E que comem carne humana, principalmente se estiverem "esfomeados". "O cão é um carnívoro e jamais recusa uma carne, seja de qual animal for", disse.

A chefe da Delegacia de Homicídios de Contagem, Ana Maria Santos, observou que a intenção da polícia é identificar o exame mais adequado para a detecção de algum vestígio, tendo em vista o fato de o suposto assassinato, conforme depoimentos, ter ocorrido no dia 9 de junho: "Buscaremos a melhor técnica, a melhor forma de periciar esses cães, sobretudo tendo em conta o decurso de tempo."

Pelo menos dez rottweilers foram recolhidos da casa de Bola e levados para o Centro de Zoonoses. Ontem, em conversa com seu advogado, Zanone Oliveira Júnior, o ex-policial manifestou preocupação com o destino dos cachorros apreendidos em sua residência.

A polícia procura manter em sigilo o resultado de perícias em andamento, como em relação aos vestígios de sangue encontrados no carro de Bola. Questionada sobre o assunto, a delegada não respondeu. Já o delegado Frederico Abelha considera que ainda não se esgotaram as possibilidades de localização dos restos mortais de Eliza no sítio que era alugado pelo ex-policial em Esmeraldas. "Acho que não, ali é muito grande."

Extermínio

Durante reunião da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas uma testemunha reiterou nesta terça-feira o envolvimento de Bola com uma organização de extermínio que atuaria dentro do extinto Grupo de Resposta Especiais (GRE) da Polícia Civil. Usando um capuz para não ser identificada, a testemunha reafirmou a acusação de que Bola participou do desaparecimento de Paulo César Ferreira e Marildo Dias, que foram presos por integrantes do GRE em 2008. Os corpos dos jovens não foram localizados.

As vítimas teriam sido mortas em um método de assassinato e ocultação de cadáver semelhante ao que foi descrito pelo adolescente de 17 anos, primo de Bruno, em relação à suposta morte de Eliza. Um inquérito foi aberto no ano passado pela Corregedoria-Geral de Polícia Civil, mas as investigações pouco avançaram.

Embora estivesse excluído da corporação desde 1992, Bola participava dos treinamentos do GRE e chegou a ser condecorado pela equipe de elite - extinta após as denúncias. O corregedor-geral Geraldo Morais Júnior se defendeu das críticas de morosidade do inquérito afirmando que se trata de "uma investigação muito complexa".

O promotor Rodrigo Filgueiras Oliveira, designado para acompanhar a investigação, ressaltou que há três elos no inquérito com o caso Bruno: o ex-policial, o local e o modus operandi dos supostos crimes. De acordo com Filgueiras, contudo, a apuração em relação ao grupo de extermínio não pode ser usada como estratégia de defesa para desviar a atenção da investigação envolvendo o goleiro.