A primeira constatação dos policiais é de que os ladrões levaram dinheiro e celular da vítima, deixando apenas os documentos no veículo. Na madrugada desta sexta-feira, véspera de Natal, Trindade foi encontrado morto na avenida Brasil, quase esquina com a avenida Pará, no bairro São Geraldo. A vítima foi esfaqueada no pescoço durante assalto, provavelmente cometido por dois homens, na avenida Bahia.
O taxista ainda conseguiu caminhar por mais de 200 metros em busca de socorro, mas acabou tombando sem vida perto de uma parada de ônibus. Um rastro de sangue ficou no asfalto. O táxi Corsa Classic dele, que havia sido levado pelos ladrões, apareceu abandonado em uma viela da avenida A.J. Renner, no bairro Navegantes, após se chocar contra uma pedra. A ocorrência mobilizou a Brigada Militar e Polícia Civil.
O caso está sendo apurado como latrocínio pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). No início da manhã de sexta-feira, o táxi Corsa foi submetido a uma perícia do Departamento de Criminalística no pátio do Deic, antes de ser encaminhado para um depósito.
No final da manhã de sexta-feira, a esposa do taxista aguardava a liberação do corpo, que foi sepultado à tarde no cemitério Jardim da Paz. Uma das três filhas da vítima estava junto e contou que o pai atuava há mais de 20 anos como taxista. Trindade retornaria para sua casa, na avenida Ipiranga, perto da CEEE, por volta da meia-noite de sexta-feira. Ele estava trabalhando na folga de um colega. Além do sentimento de dor e de perda, a família está revoltada e pedindo justiça. “Do jeito que está temos que ficar trancados dentro de casa”, desabafou a filha.
O presidente do Sintáxi, Luiz Nozari, reclamou da falta de segurança. “As autoridades não retiram os criminosos das ruas, mas quando o fazem é a Justiça que coloca os mesmos de novo nas ruas”, reclamou o taxista. Quase sem esperança de mudar a situação, ele propôs algo inédito para acabar com os roubos contra a categoria além da prisão efetiva dos ladrões. “É acabar com o dinheiro no táxi e usar apenas cartão de crédito ou como nos ônibus ou de crédito”, sugeriu o dirigente do Sintáxi. Ele lamentou que a sociedade parece não se importar mais quando morre um taxista. “Não existe indignação social”, constatou.