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Polícia tem indícios de outros envenenamentos em caso do bolo de Torres

Suspeita buscou a cremação do corpo de sogro para encobrir rastros do crime ocorrido em setembro

Investigadores relataram que há indícios de outros envenenamentos, que serão apurados
Investigadores relataram que há indícios de outros envenenamentos, que serão apurados Foto : Mauro Schaefer

A Polícia Civil concedeu nesta sexta-feira mais uma entrevista coletiva sobre o envenenamento de um bolo que provocou três mortes em Torres, no Litoral Norte. Em sua manifestação, a delegada Sabrina Deffente relatou que a suspeita, Deise Moura dos Anjos, teria promovido outros envenenamentos de pessoas próximas, até de quem não tinha relação alguma com a família. “Essas suspeitas serão investigadas a partir de agora”, declarou.

Além disso, Deise teria buscado convencer a família a encaminhar a cremação do corpo do sogro, Paulo Luiz dos Anjos, que morreu três meses antes da série de envenenamentos. A ideia era cobrir os rastros do próprio crime.

"Não temos dúvida de que ela pesquisou o veneno. Buscou uma receita inodora e chegou em uma composição química que ela tenta montar. Ela faz isso, envenena a família. Morre o sogro e ela busca de todos os modos a cremação do corpo dele. Não conseguindo, ela tenta montar narrativas para encobrir o que aconteceu”, disse a delegada.

Vítimas de envenenamento em Torres | Foto: Leandro Maciel

Conforme o delegado Marcos Veloso, responsável pela Delegacia de Torres, Deise não conseguiu cremar o corpo do sogro por conta da falta de uma assinatura de um médico. "Essa mulher não só matou quatro pessoas e tentou matar mais três, mas ela também realizou outras tentativas de homicídio”, afirmou.

Exames no corpo de Paulo Luiz mostraram a presença de arsênico no cadáver, o mesmo químico encontrado nas vítimas que ingeriram a sobremesa em 23 de dezembro.

A diretora do IGP, Marguet Inês Mittmann, relatou que a segunda maior concentração de arsênico foi encontrada em Paulo Luiz dos Anjos. "Das quatro vítimas que vieram a óbito, somente uma teve uma concentração maior que a do sogro da suspeita. Foram coletados amostras no baço, cérebro, rim, couro cabeludo, fígado e estômago. Encontramos concentrações muito altas no fígado e no estômago. Os níveis encontrados são letais. As provas apontam que é impossível que esse caso se trate de intoxicação alimentar", explicou.

Acqua Toffana

A operação para prender Deise Moura foi chamada de Acqua Toffana. O nome tem relação com um veneno muito utilizado no século 17, feito com base de arsenio e chumbo. Segundo o delegado Marcos Veloso, a suspeita teria feito a compra das substâncias em quatro oportunidades em cinco meses. Uma foi feita antes da morte do sogro e as outras três antes do bolo.

| Foto: Arte Leandro Maciel

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