Além de ouvirem as testemunhas, os agentes do Deic examinam também as imagens das câmeras de monitoramento do posto de combustíveis e de ruas próximas. As primeiras diligências já foram realizadas ainda nesta manhã no local onde residiria o suspeito. O trabalho investigativo vai prosseguir neste final de semana.
Joel Wagner revelou ainda que já pediu a prisão do suspeito de ter baleado e ferido um outro taxista durante assalto, em dezembro, na avenida Salvador França, no bairro Jardim Botânico, na Capital.
A morte
Motorista do táxi Fiat Siena, prefixo 1362, João da Silva Rodrigues, de 61 anos, foi baleado no peito e no ombro no estacionamento de um posto de combustíveis na avenida Princesa Isabel, esquina com a rua Gomes Jardim, no bairro Santana, por volta das 6h. O autor dos disparos vestia um casaco escuro e tinha uma mochila nas costas, que havia primeiro assaltado o frentista.
Em seguida, ele foi até a vítima, que conversava com um colega. O bandido fugiu a pé na direção da rua Santana. No chão ficaram um boné e um óculos da vítima, além de marcas de sangue.
O colega da vítima, o motorista de um táxi Corsa, Marcelo Ferraz dos Santos, de 43 anos, acionou o Samu e a Brigada Militar. Ele lembrou que o posto de combustíveis é um tradicional ponto de encontro da categoria. “Ele veio me dar feliz Ano Novo quando eu estava limpando o meu carro. Houve o assalto no posto e o cara veio na nossa direção, pedindo dinheiro. O colega levantou as mãos e disse que não tinha dinheiro e levou dois tiros. Foi muito rápido”, recordou.
Marcelo Ferraz dos Santos acrescentou também que o colega foi até o local para buscar o táxi antes de começar a trabalhar. “Conheço ele há anos. Fica difícil trabalhar assim”, desabafou.
Sintáxi pede mais segurança para categoria
O presidente do Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre (Sintáxi), Luiz Nozari, criticou duramente a falta de segurança pública, sobretudo em relação à categoria. Ele lamentou que até a sociedade já não se importa mais com a morte de taxistas, enxergando-a como “algo normal”. O dirigente cobrou providências enérgicas das autoridades policiais e afirmou que parlamentares e magistrados também precisam fazer sua parte através da mudança da atual legislação, visando torná-la mais rigorosa, e da manutenção dos criminosos por mais tempo prisões ao invés de soltá-los.
Para Nozari, os taxistas são os mais expostos à criminalidade e vistos como “caixas eletrônicos” pelos bandidos, sobretudo usuários de drogas em busca de dinheiro para manter o vício. “Não temos segurança para trabalhar”, enfatizou. O presidente do Sintáxi disse que uma saída para amenizar a situação é a adoção do pagamento da corrida com cartão, reduzindo a circulação de dinheiro dentro do táxi. No entanto, ele reclamou da dificuldade em levar a proposta adiante junto ao Banrisul.
Conforme levantamento do Sintáxi, o ano de 2013 terminou com cinco latrocínios e um homicídio na categoria. Em 2012 foram três mortes e 2011 ficou com duas.
BM defende resultado das operações
A Brigada Militar avalia como positivo o resultado das operações realizadas na cidade visando dar proteção aos taxistas e aos postos de combustíveis. Conforme o Comando de Policiamento da Capital (CPC) da BM, as operações Pré-Sal e Transporte Seguro são duas das ações nesse sentido. “A Brigada Militar tem feito operações sistemáticas. Todas elas estão em andamento e ocorrem diariamente. Temos a fiscalização periódica nas guarnições e tem a orientação para o monitoramento na madrugada. Diversas medidas preventivas foram adotadas. Infelizmente, tivemos esse caso”, declarou o tenente-coronel José Luiz Ribeiro Paz, ocupando temporariamente o subcomando do CPC.
O oficial descartou que o remanejamento de efetivo para a operação Golfinho nas praias tenha prejudicado a segurança na Capital. “Temos a nossa rotina diária em números que atendem a nossa demanda”, afirmou o oficial.
Devido à possibilidade de protestos dos taxistas, a Brigada Militar reforçou o policiamento no entorno da residência do governador Tarso Genro, no bairro Rio Branco, e também no Palácio Piratini, no Centro de Porto Alegre.