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Polícia Civil desarticula grupo que usava doença de criança para aplicar fraudes pela internet

Uso indevido de campanha real levou vítimas a transferirem dinheiro via PIX, movimentando milhões de reais

Suspeitos foram alvo de operação da Polícia Civil em diferentes estados brasileiros
Suspeitos foram alvo de operação da Polícia Civil em diferentes estados brasileiros Foto : Polícia Civil / CP

Uma investigação iniciada a partir da exploração da imagem de uma criança doente resultou na desarticulação de um esquema de fraudes eletrônicas. A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta quinta-feira, a Operação Eclipse, tendo como alvo um grupo criminoso especializado em criar falsas campanhas beneficentes para enganar doadores em diferentes regiões do país.

O caso teve origem após a identificação de páginas fraudulentas que utilizavam indevidamente a história de uma criança de 10 anos, moradora de Capão da Canoa, no Litoral Norte, diagnosticada com distrofia muscular de Duchenne, uma doença rara e de alto custo de tratamento.

A partir disso, a Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DPRCC/DERCC) iniciou a investigação, que revelou a existência de uma estrutura organizada voltada à aplicação de golpes por meio da internet.

Segundo a investigação, os criminosos copiavam imagens, vídeos e informações da campanha verdadeira para criar páginas falsas de arrecadação e anúncios patrocinados em redes sociais. O material reproduzia elementos visuais de plataformas legítimas de financiamento coletivo, conferindo aparência de credibilidade e induzindo vítimas a realizarem transferências via PIX.

As apurações apontam, também, que o grupo operava com uma estrutura digital e financeira sofisticada, incluindo registro de domínios falsos em servidores fora do país, uso de empresas intermediadoras de pagamento e intensa movimentação bancária.

Uma das campanhas falsas chegou a exibir arrecadação superior a R$ 248 mil. No entanto, a análise financeira indica que o volume total movimentado pelo esquema atinge cifras milionárias. Grande parte do dinheiro era movimentada através de transferências de pequeno valor feitas por múltiplas vítimas.

Durante a investigação, três principais suspeitos foram identificados e tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça. Um homem de 30 anos, residente em Curitiba (PR), é apontado como responsável pela estrutura financeira do esquema. Outro, também de 30 anos, de Londrina (PR), estaria ligado à operacionalização das empresas utilizadas na movimentação dos valores. Já um terceiro investigado, de 31 anos, de Contagem (MG), seria responsável pelo registro e manutenção dos domínios usados nas páginas fraudulentas.

Ao todo, durante a manhã desta quinta-feira, são cumpridos três mandados de prisão preventiva e seis de busca e apreensão, além de medidas cautelares de bloqueio de ativos financeiros vinculados à investigação. As ações ocorrem nos estados do Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

De acordo com a Polícia Civil, a Operação Eclipse recebeu este nome em referência à empresa utilizada na estrutura financeira do grupo, e também ao mecanismo de ocultação e dissimulação dos valores obtidos com os golpes. As investigações seguem em andamento para identificar outras vítimas, possíveis coautores e a extensão total dos prejuízos causados.

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