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Polícia Civil indicia dois médicos por morte de criança em Rio Grande

O caso ocorreu em maio de 2025 na UPA do balneário Cassino

A Polícia Civil concluiu a investigação sobre a morte do menino Joaquim Simch Klinger, de 9 anos. A criança morreu durante um atendimento de emergência realizado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), localizada no balneário do Cassino, em Rio Grande, em maio de 2025.

A apuração foi conduzida pela Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa e envolveu a análise de prontuários, laudos periciais, pareceres técnicos, documentos oficiais e depoimentos de familiares e profissionais da saúde. Segundo a investigação, a vítima deu entrada na unidade apresentando quadro de insuficiência respiratória grave, evoluindo posteriormente para parada cardiorrespiratória e óbito durante o atendimento.

Ao final das diligências, a Polícia Civil decidiu pelo indiciamento de um médico por homicídio qualificado pela asfixia, com dolo eventual, além do crime de fraude processual. Um segundo médico foi indiciado por homicídio culposo majorado pela inobservância de regra técnica de profissão. Também foi determinada a remessa de documentação ao Conselho Regional de Medicina para análise das condutas sob o aspecto ético profissional.

O inquérito policial foi encaminhado ao Judiciário, com vistas ao Ministério Público, para as providências legais cabíveis. Segundo a prefeitura, na época dos fatos foi solicitado o afastamento dos dois profissionais para a empresa terceirizada que administrava a UPA. Com isto, eles saíram da cidade. Não conseguimos contato com a defesa dos médicos.

A mãe do menino, Izabel Simch, disse que há um ano e cinco meses a única maneira de proteger seu filho mais velho é fazendo com que a verdade seja dita. “Não posso mais proteger o Joca do frio, por exemplo. Não estou feliz com tudo isto pois queria ele aqui comigo, mas é importante que a verdade seja dita”, observou. Para ela, o trabalho da Polícia Civil foi brilhante. “Com toda a tentativa que teve para abafar o caso, eles sempre se mantiveram firmes”, relatou.

Segundo ela, um dos médicos deu duas medicações que não são para asma para o menino. “Depois, induziu o coma”, frisou. Conforme os registros, por volta das 5h foi solicitada a primeira entubação da criança. Após repetidos pedidos e a negativa dos dois médicos plantonistas, o menino piorou e sofreu uma parada cardíaca. Após isto, tentaram o procedimento, mas não obtiveram sucesso. A morte foi confirmada no início da manhã. “Deixaram meu filho agonizando até morrer. O desespero da equipe de enfermagem pedindo para o médico fazer algo e não faziam nada. É um ano e cinco meses de luta”, finalizou.

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