Uma fábrica clandestina que embalava suplemento alimentar whey protein e leite em pó vencidos foi fechada pela Polícia Civil na terça-feira, em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. Os produtos recebiam novas etiquetas com datas de validade estendidas até 2027 e eram revendidos. O suspeito de ser o responsável pelo esquema foi preso.
Bruno Missaci Antunes passou por audiência de custódia anteontem e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. O advogado Fábio Henrique Fernandes, que o defende, afirmou que a empresa possui todas as licenças exigidas em lei para exercer suas atividades.
A ação foi conduzida pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG), depois que a movimentação no galpão, localizado no Jardim Dona Therezinha, levantou suspeitas. No local, os policiais encontraram frascos vazios de suplementos alimentares dentro de uma caçamba, além de sacos com whey protein e leite em pó.
Como funcionava
Segundo a investigação, o produto vencido era retirado das embalagens originais, acondicionado em novos frascos e rotulado com uma nova data de validade. A polícia afirma que funcionários da "fábrica" confirmaram que realizavam a retirada e o ensaque dos produtos por determinação da empresa.
Os trabalhadores, no entanto, não souberam informar qual era o destino final das mercadorias adulteradas. Foram apreendidos diversos paletes de mercadorias, rolos de etiquetas adulteradas escondidos em um armário de cozinha, embalagens novas e o celular do responsável pelo estabelecimento.
Antunes foi preso por crime contra a saúde pública, por adulteração de produto alimentício destinado ao consumo. A pena para esse delito varia de um mês a um ano de prisão.
Seis funcionários foram ouvidos e afirmaram que apenas cumpriam ordens. Segundo a polícia, eles disseram não ter conhecimento da ilegalidade do esquema.
O advogado Fábio Fernandes disse ao Estadão que a destinação dos produtos seria a reformulação para ração animal. "A polícia atendeu a uma denúncia anônima, foi lá e encontrou embalagens e sacarias com os produtos, mas não apurou a destinação e deu voz de prisão ao responsável. Não havia nenhum produto destinado ao consumo humano", afirmou.
O defensor sustenta que a empresa tem tradição na produção de insumos para ração animal. "Nós apresentamos todas as justificativas à polícia, mas não adiantou. O juiz de garantias optou pela prisão preventiva, mas vamos entrar com pedido de revogação inicialmente no juízo de São João da Boa Vista. Se necessário, iremos ao Tribunal de Justiça para mostrar a verdade", declarou.