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Polícia investiga possível erro em transfusão de sangue no Hospital Universitário de Santa Maria

Caso ocorreu no início do mês e está sendo tratado como homicídio culposo

A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Santa Maria está investigando o caso de uma mulher, de 59 anos, que recebeu uma transfusão de sangue equivocada e faleceu. O caso ocorreu no Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), no dia 6 e, a morte, um dia depois. De acordo com o delegado Adriano de Rossi, que investiga o caso, a moradora de Tupanciretã estava em uma maca no corredor do hospital aguardando leito, para tratar de um câncer de mama, quando o fato ocorreu.

"O tipo de sangue dela era O e ela recebeu duas bolsas do tipo AB. Além disso, a prescrição mostrou que a recomendação de transfusão era para outro paciente", relatou. A vítima estava com a filha e em seguida começou a passar mal, tendo um ataque cardíaco, o que caracteriza reação transfusional aguda. Ela foi levada para a Sala Vermelha e depois para a UTI, onde permaneceu até morrer na manhã seguinte.

"Como a vítima residia em outra cidade, esperamos uns dias para falar com a filha que estava com ela e começar a investigação de fato", confirmou. Os depoimentos começaram a ser coletados nesta semana. A enfermeira que realizou a transfusão já foi chamada para prestar depoimento, mas decidiu permanecer em silêncio. "Esperávamos que ela nos esclarecesse o que ocorreu, mas usou o direito de permanecer em silêncio. Por enquanto temos suposições. No prontuário da vítima consta como erro grotesco", observou.

O delegado afirmou que, com o silêncio da suspeita de ter realizado a transfusão, na próxima semana deverá ouvir um médico e uma enfermeira assistente que trabalhavam no local no dia do incidente. "Queremos esclarecer, entre outras situações, como é o procedimento padrão do hospital. A vítima estava em um maca, esperando leito, então isto já mostra a superlotação", confirmou.

Ele acredita que, em 30 dias, deve remeter o inquérito policial à Justiça. "Além de ouvir os funcionários para entender o procedimento do hospital, também aguardamos o laudo da necropsia que vai determinar se a transfusão foi realmente a causa da morte, mas que ainda não ficou pronto", destaca. O caso é tratado como homicídio culposo, quando não há a intenção de matar.

"A princípio a enfermeira, que não quis falar, é suspeita de ser a responsável pela transfusão equivocada. Caso mais pessoas estejam envolvidas, também poderão ser responsabilizadas", garantiu. Procurada, a direção do hospital se manifestou por meio de uma nota, onde afirma que instaurou processo interno para apurar as circunstâncias que levaram ao falecimento da paciente. "O HUSM permanece colaborando com as autoridades competentes e se solidariza com os familiares, reafirmando seu compromisso com a vida, a dignidade humana e a segurança assistencial".

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