A Brigada Militar e a Polícia Civil flagraram na sexta-feira no interior da Terra Indígena Nonoai a supressão de árvores nativas e o beneficiamento irregular de madeira. Durante a operação de fiscalização, os policiais constataram o corte de oito árvores nativas, sendo sete exemplares de araucária (Araucaria angustifolia) e um exemplar de guajuvira (Cordia americana), espécies integrantes da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica, na formação de Floresta Ombrófila Mista.
No local, foram encontradas toras de madeira com diâmetros de até 127 centímetros, além de evidências do beneficiamento da madeira por meio do uso de motosserra para a produção de pranchas. Na ação, foram apreendidas nove pranchas de madeira da espécie araucária, totalizando aproximadamente 2,16 m³. Quatro indivíduos, não indígenas, foram presos pela Polícia Civil pelos crimes de furto, ameaça contra lideranças indígenas e crime ambiental.
Araucária em perigo
A araucária é protegida por lei desde a publicação da Carta Régia de 13 de março de 1797, que reservava os pinheiros para uso exclusivo da Coroa portuguesa. Contudo, a exploração tomou força e fugiu ao controle, atingindo seu ápice no século XX. Atualmente, o corte da araucária é proibido por lei no Brasil, mas a espécie continua vulnerável devido à degradação dos ecossistemas, à lentidão no crescimento e reposição natural. A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica a araucária como criticamente ameaçada de extinção.