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Polícia prende suspeitos de golpe de R$ 300 mil contra vítima mantida sob ameaças por quase um mês em Canoas

Operação da 3ª DP de Canoas cumpriu três prisões temporárias e seis mandados de busca em São Paulo

Mandados foram cumpridos em São Paulo, com apoio da Polícia Civil gaúcha
Mandados foram cumpridos em São Paulo, com apoio da Polícia Civil gaúcha Foto : Polícia Civil / CP

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta quarta-feira, uma operação contra uma organização criminosa suspeita de aplicar um golpe bancário de aproximadamente R$ 300 mil e lavar o dinheiro por meio de criptomoedas. A ofensiva, coordenada pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, resultou no cumprimento de três mandados de prisão temporária e seis de busca e apreensão na cidade de São Paulo, com apoio da Polícia Civil paulista.

Segundo a investigação, a vítima foi manipulada durante quase um mês por suspeitos que se apresentavam como representantes de setores de segurança de instituições financeiras. O grupo teria usado a falsa justificativa de que havia criminosos tentando acessar as contas bancárias para induzir a realização de transferências.

De acordo com a delegada Luciane Bertoletti, os contatos começaram com pessoas que se identificavam como integrantes do departamento de segurança de dois bancos. “Eles entraram em contato com a vítima, dizendo que eram do departamento de segurança dos bancos e que alguém estaria tentando entrar na conta bancária para tirar dinheiro”, relatou.

Os suspeitos afirmavam que precisavam da ajuda da vítima para rastrear os supostos criminosos. Para manter o controle da situação, diziam que o caso estava sob investigação sigilosa da Polícia Federal e orientavam que ela não contasse a ninguém nem procurasse a polícia.

Segundo a delegada, os criminosos foram alternando as identidades usadas na abordagem, passando de supostos funcionários do banco para representantes de outra instituição e, depois, do Banco Central.

Conforme Luciane, depois de realizar transferências que somaram entre R$ 200 mil e R$ 230 mil, a vítima percebeu que havia caído em um golpe. Foi nesse momento que os suspeitos passaram a fazer ameaças para obter o restante dos valores. “A vítima, em determinado momento, depois de todo esse tempo, disse que caiu em um golpe e eles começaram a extorsão”, contou.

Segundo a delegada, os criminosos afirmavam conhecer o endereço, a rotina e os familiares da vítima. As ameaças teriam durado mais dois ou três dias, período em que o grupo conseguiu retirar o restante do dinheiro. “A vítima ficou quase um mês na mão desses criminosos”, afirmou.

Parte do dinheiro foi convertida em criptomoedas

A investigação identificou uma divisão de tarefas entre os integrantes do grupo. Um núcleo era responsável por abordar e manipular as vítimas, enquanto outro movimentava os valores por meio de contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, usadas para dificultar o rastreamento e evitar bloqueios.

Do total subtraído, cerca de R$ 46 mil teriam sido convertidos em criptomoedas, incluindo Bitcoin e Ethereum. Parte dos ativos teria sido transferida para carteiras digitais privadas e contas no exterior, segundo a apuração policial.

A estratégia buscava dificultar a identificação do destino dos recursos e a recuperação do dinheiro por meio dos mecanismos tradicionais de bloqueio bancário.

A Polícia Civil solicitou, além das prisões e buscas, o bloqueio de contas bancárias. Durante a operação, também foi apreendida uma motocicleta. Conforme a delegada, os materiais recolhidos serão submetidos à perícia, e os bens e valores bloqueados poderão contribuir para a recuperação dos prejuízos da vítima.

Os investigados são suspeitos de estelionato qualificado, extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O diretor regional de Polícia, delegado Cristiano Reschke, afirmou que o combate a esse tipo de crime exige também o rastreamento e a recuperação de ativos. "Não basta prender, é preciso tirar do crime o que sustenta o crime. Golpe digital hoje é crime organizado, com estrutura empresarial e blindagem em criptoativos. A Polícia Civil está atenta a essas novas modalidades e responde com rastreamento de ativos, cooperação interestadual e asfixia financeira", afirmou.