Polícia

Policiais e bombeiros do Rio adiam decisão sobre greve

Categoria fez manifestação na orla de Copacabana

Policiais protestam contra prisão de integrantes do movimento
Policiais protestam contra prisão de integrantes do movimento Foto : Christophe Simon / AFP / CP
A decisão sobre a manutenção ou suspensão da greve dos agentes de segurança pública do estado do Rio foi adiada para segunda-feira. Durante ato de repúdio às prisões de militares acusados de incitarem o movimento, neste domingo na orla de Copacabana, os manifestantes agendaram uma assembleia para amanhã, às 18h, no centro da cidade.

“Decisão certa. Na minha opinião, a ordem é o que foi dito aqui: que o governador (Sérgio Cabral) retire o aumento que deu, o que quer dar e tire 10% dos nossos salários, se a questão é essa, mas o mais importante é soltar os companheiros. O movimento é pacífico e ele está tratando como se fosse um movimento desordeiro”, disse o cabo Lopes, da Polícia Militar (PM).

“Estou de acordo porque não ficou definida a situação dos colegas que foram presos. A greve é pacífica e ordeira e a PM não deixou de atender à população em momento algum”, disse o sargento Silva Neto.

Mesmo com o anúncio da suspensão do movimento por parte da Polícia Civil, agentes da corporação participaram do ato de repúdio. O presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Fernando Bandeira, explicou que existem duas representações da categoria - o Sinpol, criado em 1993, e o Sindipol que, segundo histórico divulgado na página da entidade na internet, representa desde 2007 a reativação de uma instituição criada há quase 20 anos.

A representação da categoria hoje está dividida entre os dois sindicatos. Cada entidade contabiliza uma média de 1,5 mil policiais civis filiados. Bandeira criticou o anúncio de suspensão da greve feito nesse sábado pelo diretor jurídico do Sindpol e garantiu que a Polícia Civil continua no movimento.

“A decisão foi tomada em assembleia. A gente não pode tomar a decisão de sair da greve sem conversar com as outras categorias (bombeiros e Polícia Militar). Essa ilegalidade de suspender a greve é um desrespeito até com os policiais civis”, protestou o presidente do Sinpol, reafirmando que a categoria continua com os atendimentos reduzidos e apoiando a pauta de reivindicações.

O sargento Paulo Nascimento, um dos líderes dos bombeiros, reafirmou a posição da categoria. “Temos que manter a greve, mas dentro da normalidade e legalidade. Repito que mantemos 30% dos atendimentos sendo feitos”.

A manifestação deste domingo, na praia de Copacabana, teve uma participação tímida de militares. Ainda assim, policiais civis, militares e bombeiros mantiveram o ato que durou quase quatro horas, reafirmando o caráter “pacífico e ordeiro” que o movimento deve manter para ter continuidade e os protestos contra a prisão de vários militares que foram encaminhados ao Presídio de Segurança Máxima Bangu 1.

Uma comissão de mulheres de bombeiros e de policiais presos no complexo penitenciário estão organizadas para buscar o apoio do governo federal em Brasília, na próxima terça-feira (14). Mas, amanhã (13), essa comissão e outros parentes de militares presos terão uma reunião, às 10h, com representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro.

Emocionada, a estudante Ana Paula Fernandes Matias, mulher do sargento Matias, preso ontem sob acusação de não ter se apresentado ao trabalho, protesta. Ela garante que o marido estava no posto do Grupamento Marítimo (Gmar) na Barra da Tijuca, zona oeste da capital. Mas, como outros militares do Gmar, ele não usava o uniforme da corporação, em protesto.

“Estamos lutando por uma causa. Em momento algum abandonamos a população. Isso é uma covardia. O que eu falo para o meu filho, de 4 anos, que pergunta pelo pai, que é honesto, nunca respondeu a qualquer processo e está preso em um complexo de segurança máxima?”, disse, emocionada.


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