Polícia

Policiais entregam reivindicações ao governo, após protesto

Brigadianos aposentados, da ativa e familiares participaram de caminhada no Centro

Protesto pede salários melhores à BM
Protesto pede salários melhores à BM Foto : Paulo Nunes
Com o hino do Rio Grande do Sul como trilha sonora, 2 mil pessoas, entre policiais militares e familiares, iniciaram marcha de protesto contra os baixos salários dos profissionais de nível médio da Brigada Militar, nesta sexta-feira, no Centro de Porto Alegre. Às 13h, centenas de manifestantes já se concentravam na Praça Brigadeiro Sampaio, próximo do QG da BM. A caminhada pelas principais ruas do Centro até chegar ao Palácio Piratini.

Representantes dos policiais foram recebidos pelo chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, por volta das 18h. Foi sugerida a criação de um Grupo de Trabalho para avaliar as reivindicações, o que deverá ocorrer dentro de 15 dias, conforme Pestana.

A passeata teve, à frente, cavaleiros de CTGs das entidades. Por onde passava, populares aplaudiam e tiravam fotos. Chamava a atenção a diversidade de sotaques e idades – recrutas, crianças e aposentados da corporação –, muitos que se deslocaram do interior do Estado.

Entre as faixas, muitos protestos contra os baixos salários, mostrando que um soldado da BM recebe vencimento básico de R$ 548. Outras pediam que os PMs recebessem salário “padrão Fifa”. As reivindicações eram pela adoção de um plano de carreira única, em que o soldado entre na corporação e siga a carreira, fazendo concursos internos e que seja adotado o nível superior também para os soldados, acabando com a divisão de nível médio e superior. Além do reconhecimento de todas as faculdades e não apenas de Direito, como ocorre atualmente.

O soldado Fabiano Rocha, do 21º BPM, estava com a mulher e a filha, Yasmim, 2 anos, na passeata. Ele considerou que se não for feito agora alguma coisa para melhorar a situação da categoria não conseguirão nos próximos anos, pois a cada troca de governo há promessas, mas muito pouco é feito. Rocha considera que protestos sempre ocorreram nos quartéis, mas de uma maneira silenciosa, como diminuindo a produtividade.

Ele questiona como os PMs podem fazer o policiamento nas ruas, se, com o salário é péssimo que recebem, ficam pensando nas dificuldades pelas quais a família está passando. “Estamos no fundo do poço”, ponderou o soldado, com 15 anos de BM e cujo salário é de R$ 2 mil. “É lamentável, mas ficamos só nas promessas e nada mais”, comentou, enquanto segurava a filha no colo.

Viúva do 2º sargento Brasil Fan Almeida, do Corpo de Bombeiros de Uruguaiana, Maria da Rosa Nunes Almeida, 72 anos, reclamava da pensão que recebe. Moradora de Porto Alegre, ela disse que o aumento, este mês, foi pouco mais de R$ 100. “É horrível, não dá para nada”, avaliou a pensionista. “O que nos deixa em dificuldades quanto a questão financeira, pois se pensa em comprar algo, mas o dinheiro não permite.”

O 2º sargento Carlos Layser, de Gaurama, no interior do Estado, também considera o salário muito baixo, principalmente para quem vai à rua enfrentar criminosos. Ele lembra de algo que os deixa desnorteados. Quando o brigadiano faz o chamado “bico”, criticam, mas com o soldo que recebem, não há muita escapatória. “Se não fizer bico, como vou por o meu filho em uma escola e, posteriormente, na faculdade”, pergunta Layser, há 27 anos na corporação. “Não há muita alternativa.”

*Com informações dos repórteres Paulo Roberto Tavares e Nildo Júnior

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