A Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol) e o Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná (Sidepol) também emitiram nota conjunta sobre o caso onde declaram que o afastamento dos delegados ocorreu para dar “maior transparência e imparcialidade na colheita de informações" eventualmente solicitadas e prestadas ao Ministério Público e ao Poder Judiciário do Rio Grande do Sul.
“Os referidos policiais poderiam manipular as informações prestadas à Justiça, mas em nenhum momento demonstraram interesse, pelo contrário, contribuíram em todos os atos necessários", diz o documento. Os réus esclarecem que são os maiores interessados em elucidar os fatos que contribuíram para, segundo eles, injustamente figurarem no processo ao lado de sequestradores, que são os principais alvos combatidos pelo Grupo Tigre.
Conforme a nota, os delegados estão à disposição das autoridades para esclarecerem quaisquer fatos referentes à investigação que culminaram com o infeliz desfecho e morte do empresário que se encontrava mantido em cativeiro. As entidades de classe lembram ainda que “nenhum integrante do Grupo Tigre participou da ação de resgate ou sequer estava no local onde ocorreu o confronto que culminou com a morte do refém, sendo que um dos delegados encontrava-se de férias no estado de São Paulo”.
Para elas, os fatos demonstram que o MP gaúcho foi "um tanto quanto ágil" em tentar responsabilizar os integrantes da Polícia Civil do Paraná, que sequer participaram da ação de resgate no Estado. "Nos autos verifica-se que os policiais paranaenses praticamente são responsabilizados pela participação no crime de extorsão mediante sequestro com resultado morte na modalidade culposa”.
Para a Adepol e o Sidepol, será provado durante o deslinde da questão que os integrantes do Grupo Tigre não contribuíram de nenhuma forma para o trágico desfecho do caso que estava sendo investigado. "A conturbada questão está sendo tratada mais como uma questão política do que propriamente jurídica. Mesmo assim, devotamos respeito e confiança no Poder Judiciário do Rio Grande do Sul para elucidar os fatos”.
No dia 21 de dezembro do ano passado, uma ação conjunta de policiais civis do Paraná e do Rio Grande do Sul para libertar reféns em um cativeiro em Gravataí, na região Metropolitana, resultou na morte do agricultor Lírio Perscht, de 50 anos. Os paranaenses vieram ao Estado sem comunicar a polícia gaúcha para investigar a quadrilha que atraiu e sequestrou os agricultores.