O prefeito de Canela, Constantino Orsolin, destacou que a principal atividade econômica do município é o turismo e se queixou que a imagem da cidade foi prejudicada. “Eu cheguei pela manhã na prefeitura e a polícia estava lá. Eu sou a autoridade máxima, eu não fui respeitado. Só faltou prenderem o prefeito”, descreveu. O prefeito de Tramandaí, Anderson Hoffmeister, disse que vive "os 10 piores dias de sua vida", referindo-se também ao vendaval que destruiu parte da estrutura da 22ª Festa Nacional do Peixe.
O prefeito de Viamão, Alex Boscaini, contou que ficou surpreso ao ser informado das irregularidades e a representante de Parobé, Gilda Kirsch, se disse humilhada com a forma com que ocorreu a abordagem. O único prefeito que não compareceu foi Luis Vicente Pires, de Cachoeirinha, que estava em outro compromisso.
"Operação midiática"
O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CMN), Paulo Ziulkoski, criticou a maneira como a operação foi conduzida pelo Ministério Público (MP), Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Polícia Civil, prejudicando os funcionários públicos municipais indiscriminadamente. Ziulkoski defendeu a importância do combate à corrupção, mas considerou que a força-tarefa usou um efetivo grande demais e que a operação foi “midiática”.

Operação realizada na manhã de quarta-feira envolveu 541 policiais | Crédito: Bruno Alencastro
Relação com agências de publicidade é investigada
A Operação Cartola é resultado de 10 meses de investigação de agências de publicidade que financiariam campanhas eleitorais em troca de favorecimentos políticos e vantagens em licitações. De acordo com a Polícia Civil, a agência PPG Comunicação Ltda, localizada no Centro de Porto Alegre, teria envolvimento com o crime e tinha contrato com as prefeituras de Osório, Tramandaí, Viamão, São Sebastião do Caí, Cachoeirinha, Canela, Parobé e Alvorada. O prejuízo chegaria a R$ 30 milhões.
O estabelecimento terceirizava os serviços e superfaturava os contratos, sempre com as mesmas fornecedoras. Segundo a investigação, essas empresas recebiam pelos serviços ou não executavam o previsto no contrato, pagando propina a funcionários municipais para manter o esquema. Três prefeituras suspenderam o contrato com a agência após a operação, outras três informaram que o acordo já havia sido rescindido, e duas mantiveram-no.