O diretor do maior presídio do Estado, coronel Leandro Santiago já projeta que a casa voltará a fechar as portas e a sobrecarregar o complexo de Charqueadas na próxima semana. "Manteremos essa política de não permitir que o teto seja ultrapassado. Dependemos da criação de novas vagas para acabar com esta situação."
A interdição prevê que não entrem presos novos ou provisórios. Para isso, todos os que forem presos ficarão, no máximo, 12h na sala de triagem no Central e depois seguirão para a Penitenciária Estadual de Charqueadas, que já está sobrecarregado.
Enquanto isso, agentes penitenciários confirmaram paralisação de uma hora no complexo de Charqueadas, na manhã deste sábado, dia de visita. Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Rio Grande do Sul (Amapergs-Sindicato), Flávio Berneira, o motivo é a interdição parcial do Presídio Central. Berneira justificou que, por módulo, o ideal é 17 agentes trabalhando, quando há apenas três, e que a capacidade de 200 presos suporta o dobro. Destacou também o sucateamento da infraestrutura, com deficiências em viaturas e até falta de algemas.
A Amapergs projeta que como o número de funcionários para atender a população carcerária é inexpressivo, a mobilização deve ter no máximo 50 pessoas. Segundo Berneira, o temor maior é de um tensionamento, já que a superpopulação no presídio levou os detentos a tomar as acomodações dos servidores públicos.
O secretário da Segurança, Airton Michels, disse que reconhece o protesto por ser legítimo e explicável, diante dos fatos. Michels acrescentou que a paralisação, num curto intervalo de tempo, é um ato simbólico, que merece atenção do governo, que já trata do tema com a categoria.