O nome do presidente municipal do PTB, José Carlos Brack, deve constar na lista de novos denunciados do Ministério Público Estadual pela morte do ex-secretário da Saúde, Eliseu Santos. Os promotores recebem hoje o processo do Tribunal do Júri sobre suposto esquema de corrupção dentro da secretaria. Divergências sobre os valores da propina envolvendo a empresa de segurança Reação teriam motivado a morte de Santos.
De acordo com informações levadas ao Ministério Público, Brack tinha uma espécie de "escritório" paralelo dentro da secretaria da Saúde. Em uma carta encaminhada aos promotores, à qual a Rádio Guaíba teve acesso com exclusividade, são mencionadas supostas atividades de José Carlos Brack dentro da instituição. Ele teria ingerência sobre contratos emergenciais, e, através deles, ocorreriam os desvios de recursos da Saúde. Ao desconfiar de esquemas escusos, Eliseu Santos teria pedido ao prefeito José Fogaça o afastamento de Brack, o que acabou ocorrendo.
Um trecho da carta, que teria sido escrita por uma pessoa próxima a Eliseu Santos, mostra o clima de desconfiança dentro da secretaria. "Nos corredores da secretaria, ganhava força, entre assessores diretos de Eliseu, sem vínculos com o partido, de que Marco (Bernardes, assessor jurídico da secretaria da Saúde e um dos oito denunciados pelo MP sobre a morte de Eliseu) agia a mando de José Carlos. Em determinada ocasião, convencido de que fora iludido por José Carlos, o secretário Eliseu o chamou e em altos brados queixou-se de traição, chamando no final de covarde José Carlos, pediu-lhe que não mais comparecesse na secretaria".
O presidente municipal do PTB, José Carlos Brack, nega envolvimento com esquema de propina. "Eu acho graça, ao saber que meu nome pode estar entre os envolvidos. O autor desta carta será processado. Envolver meu nome na morte de Eliseu é fogo amigo", disse . Na próxima segunda-feira, os promotores encaminham ao Tribunal do Júri a lista com os novos denunciados.
Presidente do PTB deve ser denunciado no caso Eliseu Santos
Divergências sobre distribuição de propina na Secretaria da Saúde teriam motivado execução de ex-secretário