Um grupo de sete presos está detido em Delegacias de Polícia de Porto Alegre há mais de dez dias sem nenhum tipo de higiene. Na 2ª DPPA, são quatro detentos que chegaram no dia 27 de outubro e um que chegou no dia 26; na 3ª DPPA, são dois presos desde o dia 27.
Conforme o delegado Marco Antônio de Souza, diretor da Divisão de Operações da Polícia Civil na Capital, eles estão sem tomar banho e sem escovar os dentes – as escovas foram retiradas por motivo de segurança, já que alguns presos ameaçaram matar outro como forma de protesto. As condições de higiene são mínimas e desumanas, conforme o delegado.
“Há apenas um mictório e uma privada no chão, porque se trata de espaço para permanecimento por pouco tempo. Eles não tem lugar para tomar banho, nem local para fazer necessidades básicas de forma isolada. É uma situação bem precária que não é a ideal para o cumprimento de pena”, relata o delegado.
Além disso, a unificação dos presos em celas de delegacias impede a separação de pessoas perigosas das não perigosas, primárias de reincidentes e a separação de presos ligados a facções. O problema também interfere na primeira investigação que é feita de todos os crimes cometidos:
“Um dos trabalhos da divisão é a investigação preliminar: locais de crimes e informações junto ao perito, bem como o combate ao furto e roubo de veículos. Isto, agora, está prejudicado porque equipes estão de prontidão apenas para fins de carceragem. O crime com certeza não vai ser combatido por esses policiais porque eles têm que ficar na função de carceragem”, lamenta.
No total, são oito presos em celas de delegacias na 2ª DPPA e outros quatro na 3ª DPPA. Há, ainda, outros quatro detidos em viaturas da Brigada Militar. Policiais, juntamente com três viaturas, são impedidos de fazer o policiamento ostensivo para fazer a custódia dos presos. Isso acontece porque não há vagas em presídios e, assim, os detentos são encaminhados a delegacias de polícia. Quando não há vagas em delegacias, o preso fica retidos em viaturas da Brigada Militar. A 2ª e a 3ª estão interditadas desde a terça passada. Na tarde desta segunda, conforme a Susepe, são 80 presos em delegacias da Capital e região Metropolitana.
Fogo em delegacia de Canoas
Em Canoas, detentos atearam fogo em sacolas e em roupas no último domingo. Eles foram transferidos para presídios. Conforme o delegado regional, Cristiano Alvarez, a polícia busca agora apurar de que maneira os presos tiveram acesso a material para colocar fogo. Uma das possibilidades investigadas é que os materiais tenham sido repassados em visitas de familiares.
Presos estão sem higiene em delegacias há mais de 10 dias em Porto Alegre
Grupo de sete pessoas está sem tomar banho e escovar os dentes