José Carlos dos Santos, o Seco, 45 anos, está preso há quase duas décadas. Capturado em 13 de abril de 2006, era apontado como líder da principal quadrilha de assaltos a carros-fortes do Rio Grande do Sul, sendo também o criminoso mais procurado do Estado, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP). A defesa dele garante que ele já pode voltar ao convívio social, mesmo sentenciado a mais de 200 anos de reclusão.
Seco nasceu no dia 6 de outubro de 1979, em Candelária, no Vale do Rio Pardo. Trabalhava como operador de máquinas na área rural, em terraplanagens e lavouras. Teria ingressado na criminalidade no início dos anos 2000, em Caxias do Sul, na Serra.
O presidente da Associação dos Delegados de Polícia do RS (Asdep), Guilherme Wondracek, à época titular da Delegacia de Capturas, diz que a experiência de Seco com maquinário agrícola serviu aos assaltos.
“Ele guiava caminhões e tratores, atingindo a lateral dos carros-fortes. Sabia o ponto exato da colisão, batendo em diagonal. Com o veículo tombado, utilizava explosivos para detonar as portas. Atônitos, os guardas acabavam se rendendo”, explica Guilherme Wondracek.
De 2002 a 2006, Seco figurava em 14 inquéritos e tinha contra si 12 ordens de prisão preventiva. Também já somava 35 anos de condenações, por assaltos a uma praça de pedágio, em Marques de Souza, e a carro-forte, em São Francisco de Paula.
Seco ainda era apontado como autor de roubo a carro-forte em Farroupilha, onde morreram os vigilantes Neri dos Santos e Anderson Pivotto, além do assalto a outro blindado em Veranópolis, ambos em 2005.
Três dias antes de ser preso, em 10 de abril de 2006, teria assaltado uma transportadora de valores em Santa Cruz do Sul, onde foi morto o capitão da Brigada Militar, André Sebastião dos Santos. O PM teve promoção póstuma a major.
Força-tarefa contra Seco
Segundo o delegado Guilherme Wondracek, a gota d'água foi a morte do menino de três anos Francisco Daniel Talasca Ferreira, em Terra de Areia, no dia 14 de janeiro de 2006. O pequeno morreu durante troca de tiros entre forças policiais e integrantes do bando de Seco.
“Aquilo foi uma tragédia sem precedentes. Ficou decidido que nossa prioridade era prender o Seco e acabar com sua quadrilha”, relembra Wondracek.
O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) fez um grupo com foco na prisão de Seco. As atividades, sob o comando do delegado Ranolfo Vieira Júnior, então diretor do Deic, ocorreram junto aos delegados Guilherme Wondracek, da Delegacia de Capturas, Heliomar Franco, da Delegacia de Roubos, e Guilherme Pacífico, da Delegacia de Roubos de Cargas.
"A força-tarefa somava quatro delegados e 17 agentes. Havia um andar da SSP reservado para a equipe, além de diárias e equipamentos, inclusive com uma estação de grampo telefônico exclusiva. O Seco precisava ser preso em até 90 dias”, destaca Guilherme Wondracek.
Seco foi preso em Paverama, no Vale do Taquari. Surpreendido por quatro policiais enquanto abastecia um carro roubado, tentou resistir a tiros, sendo atingido na perna esquerda e nas costas.
O que diz o advogado Jean Severo, à frente da defesa de Seco
Seco está na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), na Região Carbonífera. Ali, teria passado a ser parte da facção Bala na Cara, sendo líder do grupo em Santa Maria, de acordo com Polícia Civil e Ministério Público. Sua defesa nega tais alegações.
“Ele cometeu erros no passado, sim, mas é um novo homem. Está regerado e não tem mais qualquer envolvimento em crimes. O José Carlos somente quer cumprir sua pena e voltar para sua família e trabalho”, rebate o advogado Jean de Menezes Severo, que representa Seco.
Jean Severo defende Seco desde o final do ano passado. No dia 28 de novembro, ele absolveu o cliente no Foro de Santa Maria, em júri onde era réu como mandante de homicídio. Severo trabalha na progressão de pena de Seco.
“Ele se mantém ocupado na prisão, com leituras e cursos. Tenho certeza que já está apto para retornar à sociedade. Vou buscar sua liberdade condicional, assim que possível”, enfatiza Jean Severo.
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