Com o objetivo de ampliar o debate e qualificar o atendimento às vítimas de abuso e exploração sexual infantil, a Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul (DPE/RS) promoveu a palestra “Violência sexual contra crianças e adolescentes: precisamos falar sobre isso” na tarde desta quinta-feira. A coordenadora do Centro de Referência ao Atendimento Infanto Juvenil (CRAI), Maria de Fátima Fernandes Géa, tratou do trabalho da instituição em casos de violência e, também, como devem ser os cuidados de profissionais e de testemunhas de situações das vítimas.
Géa lembra que sinais de alerta nas mudanças de comportamento devem ter atenção. No caso de profissionais que vão lidar com a vítima, é essencial o diálogo com a família para, primeiramente, descartar outros motivos que podem ter envolvimento no cotidiano. Segundo a profissional, prestar atenção em sinais como distúrbios de aprendizagem, medo excessivo de adultos, irritabilidade frequente, choro sem explicação e isolamento é essencial.
Ainda de acordo com Géa, autolesões também são importantes, que podem ser encontradas no exame físico. Também as fugas, principalmente de adolescentes, que podem apresentar baixa autoconfiança e autoestima. “Ou seja, todas situações que provocaram mudança na rotina, no comportamento daquela criança e adolescente”, ela diz.
A profissional explica que é importante ouvir a vítima sem julgamentos. Em situações complexas como uma denúncia de violência, o segredo não deve ser mantido, e a informação precisa ser compartilhada nos órgãos envolvidos na proteção da pessoa, principalmente o conselho tutelar. Também, é essencial nunca duvidar da vítima. "No momento em que ela me contou, isso passa a ser uma verdade. Se ela está mentindo ou não, depois do processo vai ter tempo para isso ser averiguado. Mas, naquele primeiro momento, eu tenho que pensar na saúde dessa pessoa", diz.
A profissional lembra que a violência pode acontecer sem ausência de lesões, mas isso não significa que não existiu. "Muitas lesões ou sintomas, ainda que clinicamente não graves, são o único indicador de uma violência, muitas vezes gravíssima, e lembrar que o pior de tudo tudo é que, às vezes, as consequências emocionais conseguem ser piores que a própria violência", diz.
Ela acrescenta a importância de realizar notificações para vigilância em saúde. "A vigilância é o órgão que vai justamente fazer o monitoramento das violências no município, e a partir desse monitoramento, propor para o gestor que a gente possa criar políticas, fluxos para enfrentar essa violência", explica Géa.
A atividade, promovida pelo Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente (NUDECA), também contou com a participação da delegada Alice Fernandes, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente; a especialista em saúde mental e assistente social do Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi), Letícia Vaz. As profissionais atuam diretamente no enfrentamento à violência infantil. O encontro integra o ciclo de palestras promovido pela Defensoria durante o mês como parte da programação do Maio Laranja.
Tipos de violência
- Violência física: qualquer conduta que ofenda a integridade ou a saúde corporal ou que cause sofrimento físico de forma intencional.
- Violência psicológica: qualquer conduta que cause dano emocional, diminua a autoestima ou prejudique o pleno desenvolvimento.
- Violência sexual: qualquer situação em que a criança ou o adolescente é forçado a participar ou presenciar atos sexuais, ou que exponha seu corpo.
Sinais de alerta
- Mudanças de comportamento: alterações de humor, entre retraimento e extroversão, agressividade repetina, vergonha excessiva, medo ou pânico.
- Proximidades excessivas: a violência costuma ser praticada por pessoas da família ou próximas, na maioria dos casos. O abusador, muitas vezes, manipula emocionalmente a criança e, com isso, ganha sua confiança, fazendo com que ela se cale.
- Pai acusado de matar os quatro filhos em Alvorada é condenado a 175 anos de prisão
- Brasil tem aumento nos homicídios de mulheres, bebês e crianças de até 4 anos
- Acusado de racismo, Miguelito é suspenso pelo STJD até data de julgamento
- Empresário suspeito de obstruir operação sobre venda de sentenças no STJ se entrega à PF