Polícia

Promotor afirma que não havia mandado para invasão da PM em casa na Bom Jesus

Única ordem de busca para o bairro era direcionada ao número 430 da rua Santo Agostinho

O promotor Ricardo Herbstrith, do Ministério Público, afirmou à redação do Correio do Povo Online, nesta sexta-feira, que não havia nenhum mandado de busca e apreensão para a rua Santo Agostinho, 404, vila Bom Jesus, em Porto Alegre na quinta-feira. Nele, moram Ângela Lima, que alegou ter sido vítima de suposto abuso por parte da Brigada Militar, que teria invadido sua residência e agredido seu marido e seu cunhado (Maicon Valentin da Rosa), e sua família. Herbstrith destaca que o único mandado expedido e cumprido na vila Bom Jesus naquele dia foi para o número 430 da mesma rua (o qual foi cumprido). Lá, foram encontrados armas e drogas. O promotor fez ainda contato com o responsável pela equipe que realizou as buscas no local, que disse não constar nenhuma busca no endereço de Ângela nos autos.

A auxiliar de cozinha Ângela Lima afirma ter sido surpreendida na manhã de quinta-feira ao ter sua casa invadida por policiais da Brigada Militar. A ação fazia parte da operação "A Grande Família", iniciativa da Brigada Militar e do Ministério Público (MP), cujo objetivo era coibir o tráfico de drogas no Estado. Segundo ela, sua casa foi invadida por volta das sete horas da manhã por policiais com o rosto coberto por capuzes. Ela ressalta que sua família foi vítima de suposto abuso por parte da Brigada Militar.

Os policiais estariam acompanhados de um promotor público, que levava consigo um mandado de busca. De acordo com Ângela, esse mandado não foi apresentado e os policiais entraram em sua casa, arrombando a porta da frente, e atacaram, com socos, seu marido e seu cunhado, acusado de ser 'embalador' pelos policiais. "Eles quebraram minha cama, o sofá e até um isopor que a gente levava para a praia. Ficavam dizendo 'a casa caiu; a casa caiu'." As roupas e os brinquedos das crianças foram espalhadas pelo chão da casa e a mochila do filho que ia para escola foi revistada pelos policiais.

Ângela teria tentado explicar que não havia nenhuma droga na casa, mas suas palavras não teriam sido levadas em conta, segundo ela. No momento do ocorrido, a moradora estava acompanhada de seu marido, do cunhado (Maicon da Rosa) e de seus quatro filhos, de dois, oito, 11 e 12 anos de idade. "É uma casa de família. Saio para trabalhar todos os dias às 16h e só volto às três da manhã. Minha vida é do trabalho para casa e da casa para o trabalho. Não há drogas na minha casa", destacou.

Família formalizou denúncia na Corregedoria da BM

Na tarde de quinta-feira, a auxiliar de cozinha foi à 8ª Delegacia de Polícia (DP) para registrar a ocorrência de invasão e agressão. Segundo ela, os policiais se negaram a registrar a queixa e a encaminharam para a 15ª DP. Ângela denuncia ainda que eles a ameaçaram, dizendo que "não valia a pena perder tempo por que não iria resolver nada".

A redação do Correio do Povo Online entrou em contato com a 8ª Delegacia de Polícia e conversou, por telefone, com o escrivão Nunes, que havia atendido Ângela na tarde de quinta-feira. "Eu a encaminhei para a 15ª DP, que atende a vila Bom Jesus. Este caso pertence à 15ª e não à 8ª". Nunes comentou também que informou à moradora que "quando a queixa é contra policiais militares, a ocorrência deve ser feita na Corregedoria da Polícia e não na delegacia." Nunes ressaltou ainda que "tinha um promotor na ação e que não foi uma operação só da Brigada".

Ângela é casada e tem quatro filhos. Seu marido está desempregado e, há um mês, o cunhado, de 21 anos, também desempregado, divide o teto com sua família. Eles moram no mesmo endereço há dois anos e meio. O comandante do 11º Batalhão de Polícia da Brigada Militar, Major Sérgio Lemos, responsável pela região, disse que a BM só se pronunciará sobre o caso quando houver uma denúncia formal na Corregedoria da Corporação. Nesta sexta-feira à tarde, a moradora formalizou a denúncia contra a BM.

Operação "A Grande Família"

A ação realizada por 700 policiais em todo o Estado, batizada de "A Grande Família", apreendeu cerca de 150 kg de crack e cocaína em apenas um dia. Os PMs envolvidos cumpriram 90 mandados de busca e apreensão e 12 de prisão na quinta-feira. Até o final da tarde, 19 pessoas haviam sido presas, mais de 11 veículos apreendidos, bem como armas e munições, 2,5 kg de cocaína, 40 pedras de crack, balanças de precisão e 26 celulares. Em Porto Alegre, 600 agentes participaram da operação no Campo do Tuca e nas vilas Bom Jesus, Cachorro Sentado e Cruzeiro. O restante agiu na região Metropolitana e no Litoral do Estado, onde o foco estava em Viamão, Guaíba, Imbé e Osório.

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