Polícia

Promotor critica demora no encaminhamento de "Maradona" para o Paraná

Eugênio Amorin afirma que havia solicitado transferência do preso em 2004

O promotor Eugênio Amorin criticou a demora na transferência do preso Paulo Márcio Duarte, conhecido como Maradona, para o Paraná. Amorim pediu a mudança do criminoso em 2004 enquanto ainda atuava em Novo Hamburgo, mas ela só ocorreu em abril deste ano.

O homem foi condenado por homicídio pela primeira vez em 2003. No ano seguinte, o promotor denunciou Maradona e outras 41 pessoas por tráfico de drogas. Na lista estavam a mulher e a mãe do criminoso. Segundo Amorim, a Justiça negou o pedido de prisão temporária das duas, por entender que não havia elementos suficientes.

Eugênio Amorin lembra que na época já havia notícias do envolvimento de Maradona com o traficante Fernandinho Beira-Mar e que por isso solicitou a remoção do traficante de Novo Hamburgo para a Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. O promotor afirma que falhou em não ter pressionado mais o governo da época, sob o comando de Germano Rigotto.

“Talvez eu próprio devesse ter formalizado e pressionado um pouco mais os governantes e a Justiça, mas perdi a fé nos políticos e acabei não indo adiante. De qualquer forma, a culpa foi de quem lida com os presídios, da Susepe e da Secretaria de Segurança do governo naquele ano. Na época, inclusive, ele (Maradona) foi flagrado em escutas dizendo que ia matar o promotor e a juíza”, revela.

O caso da transferência de Maradona acirrou ainda mais uma rivalidade dele com o delegado Bolívar Llantada, iniciada nas investigações da morte do ex-secretário de Saúde da Capital Eliseu Santos. Atualmente o policial atua na Delegacia Regional do Vale dos Sinos e foi acusado por Amorin, durante a programação da Rádio ABC 900, de Novo Hamburgo, de acobertar policiais civis que estariam dando apoio à quadrilha “Os Manos”, comandada por Maradona. Conforme interceptações telefônicas, a mulher do traficante estaria mantendo contato com dois agentes.

“Não conheço o teor da investigação e não sei quem são os policiais, não tenho o que fazer, delegado Bolívar Llantada. Vindo dessa pessoa, não poderia me surpreender. A região foi infortunada com a escolha desse cidadão para ser delegado regional. Ele não acrescenta nada. Se não sabe quem é, vai trabalhar, em vez de ficar escrevendo artigo corporativo, dizendo que a Brigada Militar e o Ministério Público não tem competência para investigar. Aliás, esse rapaz é afeito a isso, desde Porto Alegre até aqui. Se a polícia não combate a corrupção, ela vai ruir por isso mesmo”, disse.

O delegada Bolívar Llantada respondeu as críticas. “Eu resguardo o que disse nosso iminente promotor de Justiça Eugênio Amorin, a quem eu tenho muita estima, pelo excelente trabalho que realiza na Vara do Júri. É uma pessoa inteligente, culta, e sabedora dos aspectos jurídicos do seu nobre trabalho. Mas não posso concordar com ele em absoluto, porque isso já está sendo apurado em nível de Corregedoria (da Polícia Civil), em conjunto com o próprio Ministério Público”.

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