Polícia

Promotor do Caso Eliseu diz que prova do Deic não é lícita

Polícia divulgou vídeo (foto) em que assaltante Robinho confirma hipótese de latrocínio

Promotor do Caso Eliseu diz que prova do Deic não é lícita
Promotor do Caso Eliseu diz que prova do Deic não é lícita Foto : Reprodução/CP
O prova da Polícia Civil indicando que o ex-secretário da saúde de Porto Alegre foi morto em uma frustrada tentativa de assalto (latrocínio) não é legal. O entendimento é do promotor responsável pelo caso, Eugênio Paes Amorim, que classificou como ilícita a gravação na qual o motorista do carro em que estavam os assassinos de Eliseu Santos confessa que a escolha do alvo foi aleatória e que o interesse era no carro do político.

Amorim disse desconhecer a autorização da justiça para a gravação do vídeo com o suspeito. Para o promotor, a conversa com o delegado “parece um teatrinho”. Disse ainda que a prova às escondidas demonstra falta de ética da Polícia Civil. “Isso revela desespero”, disse. “Eu não acredito em mais nada que venha da polícia sobre o caso Eliseu”.

O promotor ainda insinuou interesses políticos no caso. “A tese (latrocínio) só agrada policiais e alguns políticos. Nós não estamos preocupados que a nossa atuação agrade ou desagrade alguem que possa vir a ser mais tarde governador do Estado", declarou Amorim.

O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil entregou nesta segunda-feira à justiça um vídeo no qual o assaltante conhecido como Robinho conversou com o delegado Heliomar Franco, da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos (DFRV) do Deic. Sem saber que estava sendo filmado e gravado, ele confirmou que conduzia o veículo em que estavam os dois parceiros e disse que pretendiam roubar um automóvel qualquer. Eliseu Santos foi morto na noite de 26 de fevereiro.

O diretor do Deic, Ranolfo Vieira Júnior, explicou que a Polícia Civil chegou ao depoimento do suspeito investigando uma quadrilha especializada em roubo de veículos e que encaminhou a gravação porque não poderia omitir o material do júri. Ranolfo Vieira Júnior garantiu que a morte de Eliseu não mais está sendo investigada pela polícia.

Robinho tinha sido preso há uma semana na Operação Batedor, da DFRV, quando foi desarticulada uma quadrilha de roubos de veículos oriunda de Sapucaia do Sul, que agia principalmente em bairros de classe média e alta de Porto Alegre.

Veja o vídeo do depoimento: