O promotor criminal de Novo Hamburgo responsável pela acusação de Roselani D'Ávila estuda a necessidade de solicitar exames de imagem do cérebro da empresária para tentar detectar alguma doença que cause a insanidade mental atestada em dois laudos feitos pelo Instituto Psiquiátrico Forense (IPF). Em abril de 2009, Roselaine matou a facadas o marido, a irmã e a sobrinha. Os exames, que podem ser um Eletroencefalograma, Tomografia Computadorizada, Ressonância Magnética, Cintilografia Cerebral, entre outros, teriam que ser realizados em outras instituições do Estado, já que o IPF não possui esse tipo de serviço.
A realização das análises deve ser definida até esta segunda-feira, quando José Nilton da Costa irá decidir se aceita ou não definitivamente a alegação de que Roselani era incapaz de entender o que estava fazendo entre os dias 14 e 15 de abril do ano passado. "A literatura médica e alguns profissionais nos alertaram da possibilidade de descartar ou afirmar alguma moléstia que cause psicopatias por exames de imagem", explica José Nilton da Costa.
Caso o promotor ainda tenha dúvidas quanto ao laudo, ou seja, se Roselani ficou doente antes ou depois dos homicídios, por exemplo, ele pode solicitar ainda novas informações aos peritos do IPF. Vinte testemunhas já foram ouvidas, inclusive o psiquiatra que tratava a empresária antes de ela cometer os crimes. Outras quatro devem ser ouvidas em 26 de abril. O promotor quer, ainda, ouvir a própria ré confessa, nem que seja dentro da própria instituição prisional.
A decisão é, em suma, se Roselani necessita apenas da aplicação de tratamento psiquiátrico, ou se também da aplicação de pena corretiva. Se ele entender pela primeira opção, em maio os autos devem ser devolvidos à Justiça, Roselani é absolvida e permanece por tempo indeterminado no IPF, até ser considerada curada. Se o promotor optar pela segunda hipótese, Roselani vai à juri popular, o que ocorreria no final deste ano.
Relembrando o caso:
Em 14 de abril do ano passado, Roselani, então com 47 anos, matou o marido, de 54 anos, com uma facada no pescoço enquanto ele dormia na residência do casal, no 12º andar do Residencial Vitória Régia, na Avenida Doutor Maurício Cardoso. A empresária escreveu 14 páginas de cartas sobre o seus problemas familiares e financeiros. Ela saiu para trabalhar, fazer compras e ainda foi à igreja.
No dia seguinte, 15 de abril, Roselani foi dormir no apartamento da irmã, Rosângela Radaeli de Freitas, no bairro Operário. Por volta das 4h30, ela deu um golpe, com a mesma faca usada no dia anterior, no pescoço de Rosângela, que ainda conseguiu gritar para a filha Maria Francisca de Freitas, pedindo para chamar ajuda. Roselani executou a sobrinha e depois tentou suicídio. Ela permaneceu até 1º de maio internada no Hospital Municipal de Novo Hamburgo, quando depôs à Polícia Civil, depois foi encaminhada ao Madre Pelletier e, em seguida, para o Instituto Psiquiátrico Forense.
A alegação de Roselani é que, com a falência da empresa do ramo de calçados que ela possuía, restaram dívidas em torno de R$ 2 milhões, e a família estaria sofrendo. Ela justificou, em depoimento, que matou a facadas o marido, a irmã e a sobrinha para livrá-los desse sofrimento.
Promotor quer atestar sanidade de empresária que matou três familiares em Novo Hamburgo
Definição deve ser conhecida na segunda-feira<br />