O sargento da Brigada Militar (BM) César Rodrigues, preso neste mês sob suspeita de espionagens ilegais, acessou dados sigilosos do ex-chefe do escritório do governo estadual em Brasília, Marcelo Cavalcante, menos de duas semanas após o servidor ter morrido. A informação é do promotor Amilcar Macedo, que retomou, nesta quarta-feira, a investigação sobre arapongagem na Casa Militar do Palácio Piratini. Cavalcante foi encontrado morto, sob circunstâncias ainda misteriosas, no lago Paranoá, no Distrito Federal, em fevereiro de 2009.
A principal suspeita da Policia Civil é de que ele tenha cometido um suicídio, mas a hipótese de assassinato ainda não é descartada. A vítima morreu no período em que prestava depoimentos sobre o suposto esquema de corrupção no Detran gaúcho, e sua família segue relacionando a morte a questões políticas. Instaurado há mais de um ano, o inqúerito da polícia de Brasília sobre o Caso Cavalcante, até hoje, não foi concluído.
Em interrogatório, Rodrigues afirmou não lembrar se acessou os dados de Cavalcante por curiosidade ou se recebeu ordens, segundo informou o promotor. “Temos agora que apurar se o acesso aos dados dele era pertinente às atividades da Casa Militar”, completou.
Amilcar Macedo está convicto que parte dos acessos do sargento a dados sigilosos teve objetivos eleitorais. Para ele, a principal prova, até agora, é uma troca de e-mails de 2008, entre o ex-chefe do gabinete da governadora Ricardo Lied, o tenente-coronel da BM Frederico Bretschneider e o sargento subordinado. Nas mensagens, Lied pede informações sobre o então candidato a prefeitura de Lajeado Luis Fernando Schimidt (PT).
Os próximos depoimentos do caso vão ocorrer apenas após as eleições, na semana que vem. Entre os possíveis interrogados citados pelo promotor, estão Lied, atualmente coordenador de campanha de Yeda Crusis, e as atuais assessoras da governadora Walna Meneses e Sandra Terra. O sargento Rodrigues mencionou os nomes dos três, mas todos negam qualquer relação com a arapongagem.
Promotor revela nova denúncia contra sargento suspeito de espionagem
César Rodrigues teria acessado dados de ex-chefe do governo gaúcho em Brasília logo após sua morte